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Cofina recusa entregar mapa de pessoal a delegados sindicais

Sindicato de Jornalistas apresentou ontem uma queixa contra o grupo Cofina. Em março, o dono do Correio da Manhã, Record, Jornal de Negócios, revista Sábado e CmTV, lançou um despedimento coletivo mas recusa-se a entregar o mapa de pessoal aos delegados sindicais.

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) apresentou queixa à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) contra o grupo Cofina esta quinta-feira, depois da Administração do grupo “ter rejeitado prestar informações a delegados sindicais”, esclarecem em comunicado público

A direção do Sindicato defende que "em causa está o plenário realizado no dia 19 de abril de 2017, às 16 horas, no edifício do grupo Cofina, no contexto da intenção de despedimento coletivo anunciada pela empresa e que é do domínio público”. 
 

Segundo o SJ, "previamente ao plenário, os delegados sindicais que o convocaram, ambos trabalhadores no jornal Record, pediram os mapas de pessoal, a que têm direito por lei, pedido que lhes foi recusado".

Para o SJ, "o dever de reserva alegado pela empresa não tem qualquer justificação legal" e, "se a empresa estivesse de boa-fé, compreenderia que o acesso a tal informação é essencial à defesa legal dos trabalhadores abrangidos na intenção de despedimento coletivo".

Por isso, o SJ pediu "a intervenção da ACT, com caráter de urgência, dado que o processo de intenção de despedimento coletivo está em curso e a informação em causa é de crucial importância para a defesa jurídica dos trabalhadores visados".

A iniciativa do SJ surge no momento onde o grupo Cofina anunciou, no passado dia 11 de abril, que tinha avançado com um despedimento coletivo de mais de meia centena de trabalhadores como parte da reorganização interna, parte do programa de corte de 10% de custos a que a agência Lusa teve acesso em março, e que pretendia responder a quebra de receitas de publicidade do grupo.

O lucro da Cofina caiu 14,4% em 2016, face ao ano anterior, para 4,3 milhões de euros, e as receitas operacionais recuaram 0,7% para 99,9 milhões de euros.

No documento de divulgação de resultados, em três de março, o grupo tinha referido que iria "aprofundar a sua política de reforço da eficiência operativa como forma de fazer frente ao ambiente de mercado extremamente adverso", salientando que "serão aprofundadas medidas de corte de custos nas áreas mais expostas ao ciclo e, em simultâneo, serão reforçadas as áreas de crescimento, como sejam a televisão e o online".

A seis de março, fonte oficial da Cofina afirmou que o grupo tinha ajustado as equipas, reduzindo a imprensa, e que não colocava "de lado a utilização dos meios legais disponíveis", se tal fosse necessário, "para ajustar a atividade às tendências de mercado".

Na altura, questionada pela Lusa sobre rescisões voluntárias no grupo, a mesma fonte tinha referido que a empresa vinha a "ajustar as suas equipas, reduzindo na imprensa e apostando cada vez mais no digital, na multimédia".

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