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Cineastas pedem tolerância ZERO para o racismo

Numa carta aberta ao Presidente da República Portuguesa, Eszter Hajdu e Sandor Mester, realizadores do documentário “Julgamento na Hungria”, alertam que o candidato do PSD em Loures, André Ventura, “está a utilizar o ódio contra os ciganos na sociedade portuguesa de forma irresponsável e perigosa”.
Foto retirada da página de facebook de Judgment in Hungary.

Eszter Hajdu e Sandor Mester, realizadora e produtor e compositor do filme “Julgamento na Hungria”, respetivamente, reagem às declarações do candidato do PSD em Loures, enviando uma carta aberta a Marcelo Rebelo de Sousa.

Na missiva, sublinham que André Ventura “mente quando culpa a comunidade cigana como um todo” e “está a utilizar o ódio contra os ciganos na sociedade portuguesa de forma irresponsável e perigosa”.

“Ele está intencionalmente a estereotipar, de forma negativa e falsa, os ciganos. As suas palavras não trazem soluções para nenhum problema social, servem apenas para criar ódio na sociedade portuguesa”, referem.

Segundo os cineastas, “não existe nenhum ‘problema cigano’; o problema não são os ciganos, o problema é o anticiganismo, o racismo estrutural e o extremismo racista”.

Alertando que “é um facto que o discurso do ódio leva à prática de crimes de ódio”, Eszter Hajdu e Sandor Mester defendem que “não podemos fechar os olhos”, e que “é um enorme perigo o facto de André Ventura ter escolhido esta retórica antes das próximas eleições”: “Ele utiliza o racismo e o discurso sobre ciganos para obter os votos! Isto não pode ser tolerado. Precisamos de tolerância ZERO para o racismo, para declarações políticas racistas!”, vincam.

No documentário “Julgamento na Hungria” - que já foi galardoado com 17 prémios internacionais de prestígio, e foi exibido em 40 países - os cineastas acompanham o julgamento dos quatro suspeitos de terem cometido uma série de ataques aleatórios a membros da comunidade cigana na Hungria, em 2008 e 2009. Na altura, foram assassinadas seis pessoas, incluindo uma criança de cinco anos, e outras cinco ficaram feridas. “Seis pessoas inocentes foram mortas por motivos étnicos, só porque eram ciganas”, apontam Eszter Hajdu e Sandor Mester.

Segundo os realizadores do documentário, “os assassinos em série de ciganos na Hungria tiveram a sua inspiração e motivação através dos meios de comunicação, nos discursos de ódio de políticos húngaros e de jornalistas de extrema-direita”.

Eszter Hajdu e Sandor Mester afirmam, na carta ao Presidente da República Portuguesa, que querem “ajudar Portugal”.

“Fizemos um enorme trabalho de ativismo e de divulgação em muitos países, em prol da oposição ao anticiganismo, falando sobre racismo de quotidiano e estrutural”, lembram os cineastas, que oferecem gratuitamente 1.000 licenças de transmissão on-line do filme “Julgamento na Hungria”, no valor de 6.000 EUR, para que, “como Presidente da República”, Marcelo Rebelo de Sousa “possa distribuí-los aos membros do parlamento português e a outras organizações políticas, para observarem e entenderem o que pode resultar de discursos racistas”.

Eszter Hajdu e Sandor Mester também estão “disponíveis para uma exibição gratuita do nosso filme no parlamento português, seguido de um debate”.

“Pedimos-lhe que ajude Portugal a opor-se ao anticiganismo e a manter calmo, tolerante e seguro este bonito e pacífico país”, rematam.

 

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