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Cientistas lançam apelo para acabar com contratos de prospeção de petróleo

A carta aberta lançada por cientistas de várias áreas manifesta-se contra a extração de combustíveis fósseis em Portugal.
Papagaio de papel em versão barco de piratas contra o petróleo, numa praia no Algarve. Foto de Paula Nunes, no facebook da ASMAA Algarve Surf & Marine Activities Association.

A Carta Aberta de Cientistas pelo Clima diz que a exploração de combustíveis fósseis em Portugal é “um dos grandes problemas que temos de enfrentar do ponto de vista da cidadania e das ciências que fazemos”.

“Como cientistas sabemos que a persistência de uma economia predadora do carbono inviabiliza os compromissos políticos nacionais assumidos nas Cimeiras do Clima e defrauda as expectativas das populações”, refere o texto, adiantando que “com essa exploração, as populações não ganham nem trabalho, nem saúde, nem lugar para viver. E sabemos que há alternativas”.

“Este é, pois, o momento para manifestarmos a nossa oposição, socialmente responsável e com base no melhor conhecimento científico, aos furos de prospeção e exploração de petróleo e gás na costa e no mar portugueses, desde o Algarve até ao Porto”, conclui a carta que surge a poucos dias da realização da Marcha Mundial do Clima, com manifestações previstas para Lisboa e Porto a 29 de abril.

Os subscritores alertam ainda para as mudanças no quadro político global a que o mundo tem assistido e às consequências que já estamos a viver: “Para os povos, as ameaças à paz, à permanência no território, à saúde, à alimentação, à educação, aumentam a cada dia”, ao mesmo tempo que a insuficiência do investimento científico em muitos países “ameaça o trabalho de cientistas e o isola mais, socialmente, das soluções justas para os grandes problemas que requerem a intervenção das várias ciências”.

Esta carta aberta é subscrita por dezenas de figuras ligadas às mais diversas áreas científicas em Portugal: Alda Sousa, Ana Delicado, Ana Teresa Luís, Anabela Ferro, André Pedro do Couto, André Silveira, António Bracinha Vieira, António Pedro Dores, Armando Alves, Britta Baumgarten, Claudio E. Sunkel, Eduardo Ferreira, Elísio Estanque, Eugénia Pires, Filipe Duarte Santos, Francisco Louçã, Gil Fesch, Gil Penha-Lopes, Helena Freitas, Henrique de Barros, Inês Farias, João Arriscado Nunes, João Camargo, João Ferrão, João Guerra, João Lavinha, João Teixeira Lopes, João Veloso, Jorge Paiva, Jorge Sequeiros, José Lima Santos, José Manuel Pureza, José Maria Castro Caldas, Júlia Seixas, Lanka Horstink, Luís Ribeiro, Luísa Schmidt, Manuel Carvalho da Silva, Manuel Sarmento, Margarida Cancela de Abreu, Margarida Silva, Miguel Centeno Brito, Miguel Heleno, Nuno Almeida Alves, Nuno Santos Carneiro, Otávio Raposo, Patrícia Maciel, Patrícia Vieira, Paula Guerra, Paula Sequeiros, Paula Silva, Paulo Raposo, Paulo Talhadas Santos, Pedro Bacelar de Vasconcelos, Pedro Matos Soares, Pedro Pereira Leite, Ricardo Paes Mamede, Rita Ferreira, Rui Bebiano,
Rui Gil da Costa, Rui Vitorino, Sandro Mendonça, Sinan Eden, Stefania Barca, Tatiana Moutinho, Teresa Summavielle, Violeta Ferreira e Viriato Soromenho-Marques.

Termos relacionados Petróleo em Portugal, Ambiente

Comentários

Os "Cientistas" que abandonem o seu carro e comecem a ir a pé para o trabalho descalços e quando necessitarem de uma operação que peçam que os materiais derivados do petróleo não sejam utilizados. A hipocrisia é imensa, infelizmente o petróleo é necessário e é utilizado por todos nós! O problema não está na exploração, está na utilização dessa energia, Portugal não se pode dar ao luxo de perder recursos! Está tudo preocupado com uma simples sondagem a 80 km da costa, enquanto constroem empreendimentos turísticos no PARQUE NATURAL do Sudoeste alentejano! Deixem de ser hipócritas!

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