Desde sexta-feira, Chen Guangfu encontra-se desaparecido, segundo informou a agência de notícias Reuters.
Chen Guangfu é o irmão mais velho do ativista cego Chen Guangcheng, asilado recentemente nos EUA, após protagonizar uma situação política embaraçosa, tanto para o governo chinês quanto para o americano, ao permanecer durante seis dias na embaixada americana, em abril, às vésperas da chegada da secretária Hillary Clinton para as conversas bilaterais. Essa situação criou uma crise diplomática indesejável aos dois parceiros, EUA e China, já que se tratava de uma situação inaceitável para a China e também um desgaste para Obama, que não podia recusar a ajuda ao ativista cego para não deixar cair a máscara de guardião das liberdades democráticas. Coisa em que, na prática, milhões de pessoas não acreditam. Para não atrapalhar a campanha de reeleição do amigo Obama, os comunistas chineses acabaram por autorizar a concessão de um visto de saída a Chen Guangcheng com relativa rapidez, já que também não poderiam tê-lo feito logo em seguida para não serem tomados como demasiado brandos contra os rebelados.
Chen Guangfu havia saído de Shandong, a sua província, em direção a Pequim, em busca de ajuda para o seu filho, Chen Kegui, acusado pela burocracia chinesa de estar envolvido numa tentativa de assassinato. Essa acusação é apenas mais uma das amálgamas políticas, método amplamente utilizado pelos governantes chineses para calar opositores ou pessoas ligadas a esses, como é o caso do acusado e inocente Chen Kegui.
Na sexta-feira, Chen Guangfu, que dias antes havia relatado à Reuters as torturas e represálias que sofrera após o seu irmão, o ativista cego, ter buscado refúgio na embaixada americana, não voltou ao seu quarto de hotel e encontra-se em paradeiro desconhecido. Não resta a menor dúvida que as autoridades chinesas o fizeram desaparecer. Trata-se de ripostar e dar um castigo possível ao ativista cego e também um recado para que outros evitem copiar o exemplo, criando mais problemas ao governo chinês.
Necessidade de repressão absoluta
A China é, na atualidade, o país mais repressivo do mundo. E o motivo dessa repressão é manter sob controlo a maior população do planeta, composta de 1.300 milhões de pessoas. Devido às mudanças ocorridas nas últimas décadas e a problemas herdados da Revolução Chinesa, de 1949, o único método para impedir uma explosão revolucionária, que possa derrubar a burocracia governante, como ocorreu na antiga URSS e em todo o Leste europeu é, exatamente, exercer o mais absoluto controlo sobre a população, reprimindo-a duramente. Em particular, após o levante do mundo árabe que vimos recentemente, o temor às massas chinesas tornou-se uma espécie de paranoia, que deve ser evitada a qualquer custo.
A invasão económica imperialista na China, nos últimos anos, foi a responsável por transformar o país na segunda economia mundial, superando o Japão. Isso produziu o mais poderoso proletariado do planeta, cuja vanguarda se concentra na província de Guangdong, e que nos últimos meses protagonizou uma poderosa onda de greves, contra o imperialismo, contra o governo e os sindicatos comunistas atrelados à burocracia chinesa.
Se não bastasse isso, existe o problema histórico da ocupação da Mongólia, do Tibete, da opressão sobre a etnia Uighur, na província de Xianjing e também as regiões administrativas de Hong Kong e de Macau. É nesse verdadeiro caldeirão do diabo (visto da perspetiva dos governantes) que o Partido Comunista é obrigado a exercer o seu poder, não restando outra alternativa senão a de reprimir violentamente qualquer tentativa de criar um processo democrático, como o da Praça da Paz Celestial, em 1989. A democracia, seja ela de qual tipo for, e o governo do Partido Comunista são duas coisas incompatíveis, impossível de existirem simultaneamente, como se comprovou historicamente com a URSS.
Segundo os Repórteres sem Fronteiras, a China ocupa a 171ª posição, entre 178 estados, no que diz respeito à liberdade de imprensa. O controlo inglório sobre a Internet tem sido uma das maiores fontes de dores de cabeça para a censura chinesa. Algumas palavras como jasmim, têm sido sistematicamente apagadas da rede. E também o governo exige que as pessoas se registem com os verdadeiros nomes na rede para que possam persegui-las caso enveredem pelo caminho das críticas, que as autoridades chamam de subversão.
Na China, não se sabe quantos estão detidos prolongadamente sem julgamentos. Não se sabe tampouco quantos estão detidos através das farsas judiciais. As confissões forçadas fazem parte do quotidiano bem como a tortura e as represálias. Tal método, inclusive, levou à rebelião no povoado de Wukan, onde a população tomou as rédeas de seu destino, cercada pela polícia durante vários dias, até conquistar uma série de concessões, impensáveis noutras localidades.
São bem conhecidas também as restrições à liberdade de opinião, reunião, associação e culto, sem falar nos direitos trabalhistas.
A China é o país que executa mais pessoas, respondendo por 72% das execuções do total mundial.
A lista de ativistas e lutadores de todos os matizes presos e perseguidos é interminável.
Dela constam nomes como Liu Xiaobo, Prémio Nobel da Paz, detido desde 2008. Agora, Liu Xia, também se encontra detida, pelo crime de ser sua esposa. Também está encarcerado o advogado Gao Zhisheng. Chen Wei, Chen Xi, Ding Mao e Liang Haiyi, acusados de estarem ligados aos protestos da Revolução do Jasmim, que apavora a elite dirigente. Hada, um ativista político mongol. O famoso artista Ai Weiwei vive sob constante ameaça. Esses são alguns dos ativistas mais importantes.
Uma repressão apoiada por todos amigos imperialistas
Episódios como o do ativista Chen Guangcheng, representam apenas uma pequena contradição que comprova a regra de que todas as potências imperialistas apoiam a ditadura e a repressão na China. O apoio a ditaduras pelos países imperialistas não constitui nenhuma novidade histórica. Depois da Segunda Guerra Mundial, a implantação e apoio a ditaduras constituíram um método amplamente utilizado para estrangular o movimento de massas. Basta ver o mapa político latino-americano durante as últimas décadas do século passado.
Por esse motivo, o facto de os países imperialistas apoiarem a ditadura na China não pode causar espanto.
O apoio e o tratamento amigável ao Partido Comunista chinês deve-se, em primeira instância, à penetração imperialista na China. A penetração foi tão intensa que se criou uma situação em que problemas na China são problemas que atingem diretamente os países imperialistas. Para se continuar a lucrar com os chineses é absolutamente necessário mantê-los amordaçados. De maneira que, mais do que ninguém, aos países imperialistas interessa a manutenção das coisas tal como elas estão. No atual momento histórico, marcado por levantes em vários países, qual seria a repercussão de uma revolução democrática ou política na China? A instabilidade provocada por uma rebelião democrática na China interessa aos países imperialistas? A resposta é simples. Basta ver que uma simples constipação na Grécia, um país infinitamente menos importante que o gigante chinês, já cria uma epidemia mundial.
Comentários
Mais um artigo repleto de propaganda anti-socialista disfarçada de ataque "de esquerda" ao PC Chinês.
Até enoja o seguidismo do "esquerda" relativamente às linhas editoriais dos media do capital.
"A China é, na atualidade, o país mais repressivo do mundo." a sério? mas para quem? para os trabalhadores chineses que vêm o seu nível de vida a subir ininterruptamente desde há décadas??
Os EUA têm um total de 7,225,800 de pessoas atrás das grades ou sob uma qualquer forma de coação judicial... e matam milhões pelo mundo a fora... mas a China é que é a ameaça não é!!?!
"explosão revolucionária, que possa derrubar a burocracia governante, como ocorreu na antiga URSS"... hahahahaha .... aquilo foi uma revolução??? na mente perversa e distorcida de quem???
Foi uma brutual contra-revolução apoiada precisamente pelas partes mais corruptas do aparelho burocrático, as quais enriqueceram loucamente com a pilhagem....
Noticia vergonhosa...
Senhor António o seu comentário até mete nojo, vergonha devia ter o senhor de Apoiar um governo fascista e imperialista como o da china, que censura a net, a cultura (cinema, musica, pintura,etc) e o direito a livre expressão de forma feroz, faz presos políticos, mata e reprime o povo do Tibete e o seu próprio povo, tem leis anti sociais que metem impressão, como por exemplo matar alguém na china por atropelamento é menos dispendioso e grave do que apenas ferir a pessoa, ajudar alguém em perigo ou um idoso que caia na rua é totalmente proibido e quem o faça pode ser acusado pela pessoa em questão e a mesma ter direito a indemnizações, leis vergonhosas que levam a casos vergonhosos como o da criança atropelada duas vezes sem que ninguém pudesse ou fizesse alguma coisa por receio de multas, um país em que o individuo não vale um tostão e todos trabalham para o bem do estado (elite governante). Este é o caminho que PT pode seguir se o povo português continuar a deixar a troika governar.
Caro Hilário a sua ignorância é assustadora. Nem vale a pena perder tempo a desmentir as "leis chinesas" de que fala.
As acusações de que a China é pseudo-socialista, capitalista feroz, despreocupada com os verdadeiros interesses dos trabalhadores... até fazem algum sentido. Agora fascista e imperialista???
Devia estar a pensar na França de Sarkozy ou nos EUA, de certeza.
Por fim termina com a pérola de que a troika vai transformar-nos numa China.... patético. Vai é transformar-nos de novo no país miserável que eramos nos anos 50 e 60 do século 20.
Informe-se melhor caro Hilário.
O António destaca-se pelos comentários no esquerda.net a favor da ditadura chinesa e dos massacres de al-Assad sobre o povo sírio. Não percebo porque é que o esquerda.net aprova comentários destes, sabendo que quem se opõe a esses regimes - usando da liberdade de expressão que o António quer para si mas não para os que lá vivem - é morto, preso ou torturado.
Mas o que me deixa ainda mais enojada é ver pessoas como o António andarem a baixar as calças ao PC chinês - que já nos roubou recursos naturais como a produção eléctrica da EDP - em vez de defender o que é nosso. Ao menos o PC grego cortou relações com o PC chinês após estes terem ido às compras nas privatizações da troika. Só aqui é que os comunistas preferem andar a lamber o traseiro de quem os trata como servos quando pagam a conta da luz. Que vergonha!
Cara Catarina,
O esquerda.net deve aprovar todos os comentários que respeitem as "normas de educação", independentemente do quadrante político de onde venham.
Por outro lado, acho que o PS não é dono do socialismo, da mesma maneira que o PCP é dono do comunismo, ou que o Bloco não é dono de toda a esquerda. Eu sou bloquista e o que o Bloco decide veicula-me de certo modo, mas veicula-me a mim e não a todos os esquerdistas, porque não sou, nem o Bloco é, dono da esquerda. Os comunistas merecem todo o respeito.
Em relação aos outros comentários desse senhor, não tenho conhecimento de causa, portanto não gostaria de ir por aí.
Espero que não tenha sido desagradável (sinceramente, não digo isto por conveniência).
Samuel
A favor da ditadura Chinesa?? eu?? Jamais apoiei qualquer ditadura. Sou é contra propaganda suja. Tanto faz se é contra a (dubiamente socialista)China, a (burguesa)Síria ou o (teocrático) Irão. MENTIRA é MENTIRA.
Os povos desses países não precisam de ser envenenados por gente ignorante e/ou maligna, cheia de duras opiniões, baseadas epenas em propaganda, preconceitos e oportunismo tipo maria-vai-com-as-outras.
"baixar as calças ao PC chinês", "lamber o traseiro de quem os trata como servos" eu??? Estas frases mostram bem o seu calibre.
Sabe que o PCP foi contra esta privatização.
Mas sabe, tanto faz se são Chineses ou Americanos a comprar é igualmente errado.
No entanto por alguma razão estranha os simpatizantes do bloco têm uma antipatia especial para com os investidores Chineses e Angolanos. Porque será?? Será porque por baixo da vossa fachada progressista se escondem velhacos racistas, presunçosos e pequeno-burgueses?
O tempo o dirá?
Caro senhor António,
Já que o senhor se reconhece como partidário do PCP, poderia talvez explicar-nos por que dedica tantos esforços a denunciar a "esquerda" (entre aspas, aprendeu com o Vasco Pulido Valente) do Esquerda.net e não mexe um dedo para que o site do seu partido permita comentários? Teria então uma boa oportunidade de denunciar nesse site a ditadura chinesa, a coreana do Norte, a russa... já que não apoia nenhuma ditadura...
Caro lleiria mencionei uma opinião manifestada pelo PCP que me pareceu relevante no contexto em que o fiz. Não me declarei partidário ou pertença de ninguém.
Obviamente identifico-me com a esquerda e com todos aqueles que desejam o progresso da humanidade. O que me leva, algumas vezes, a comentar notícias, do foro internacional, no "Esquerda", é a vontade que o BE seja efectivamente um movimento progressita e se deixe de covardias, oportunismos e seguidismos em relação à linha editorial do império.
Quanto ao site do PCP, rogo-lhe que dirija a sua sugestão a esse partido, e, se está a ser mesmo sincero, que se prontifique o sr lleiria para pagar os custos das mudanças técnicas necessárias.
Excelente artigo.
A China consegue conjugar o pior de dois males: o capitalismo (muito, muito feroz) e o pseudo-comunismo (que não é mais que uma ditadura burocrata).
Curioso que os neo-"liberais" digam que a URSS era comunista mas que a China não é. Quando os ventos lhes trazem uns euros para os bolsos "pensam" de maneira diferente. Comunismo não é isto, há que mudar a sociedade mas não nos tornando naquilo que combatemos. Mais vale um processo lento de transformação que uma perversão de tudo. O socialismo é uma libertação e não uma nova forma de exploração.
Por último, queria deixar uma palavra de apreço para todos os chineses que são explorados e particularmente para os (e respectivas famílias) que estão nas prisões ou são executados para dar às gerações vindouras um futuro melhor.
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