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CGTP: Somincor acentua exploração e degrada qualidade de vida dos trabalhadores

Esta sexta-feira, o secretário-geral da intersindical esteve com o piquete de greve nas minas de Neves-Corvo, em Castro Verde. Arménio Carlos afirmou que “o problema só se mantém porque a empresa não quer resolver pela via da negociação".
Segundo Arménio Carlos, a Somincor "não tem tido respeito e consideração pelos trabalhadores" e a reposta dos trabalhadores, através da adesão à greve, tem sido "por demais evidente". Foto de Luís Forra, Lusa.

Os trabalhadores da Somincor, que cumprem esta sexta-feira o quarto dia de greve, "têm reivindicações plausíveis de serem correspondidas pela administração" da empresa, referiu Arménio Carlos em declarações à agência Lusa.

"É uma greve que paralisou completamente a produção da empresa e está a demonstrar que o problema só se mantém porque a empresa não quer resolver pela via da negociação", destacou o secretário-geral da CGTP.

Arménio Carlos afirmou que o horário de trabalho diário de "mais de 10 horas seguidas" que a multinacional canadiana-Somincor, Sociedade Mineiro de Neves Corvo S.A. (Grupo Lundin Mining) quer "impor" aos trabalhadores é "inadmissível", defendendo um "horário conducente com a salvaguarda da saúde e a articulação com a vida pessoal e familiar, o que não acontece".

O dirigente sindical assinalou também a necessidade de garantir "medidas concretas para salvaguardar" a possibilidade de reforma antecipada dos trabalhadores do fundo da mina, que "têm um trabalho muito penoso", e outros, como os das lavarias, que "lidam com minérios e produtos químicos, que têm consequências nocivas para a saúde".

"Quando todos falam na necessidade de aumentar a produção, temos uma empresa [a Somincor] que cada vez tem mais lucros, mas, simultaneamente, cada vez também tem mais posturas de gestão que acentuam a exploração e degradam a qualidade de vida dos trabalhadores e, particularmente, a sua saúde, e isso é inadmissível", vincou Arménio Carlos.

O secretário-geral da CGTP fazia desta forma referência ao facto de, nomeadamente, e apesar das minas de Neves-Corvo registarem lucros anuais acima dos 66 milhões de euros, as carreiras dos trabalhadores estarem congeladas há dez anos e a empresa manter horários de laboração contínua com 1 dia de descanso por cada 5 de trabalho.

Segundo Arménio Carlos, a Somincor "não tem tido respeito e consideração pelos trabalhadores" e a reposta dos trabalhadores, através da adesão à greve, tem sido "por demais evidente".

"A responsabilidade do problema é da Somincor", reforçou o dirigente sindical, alertando que, se a empresa “assumir uma atitude responsável, só tem uma coisa a fazer: negociar com o sindicato dos mineiros a resolução do problema", contudo, "se continuar a insistir na prepotência e na arrogância terá como resposta a continuidade e o eventual agravamento da luta dos trabalhadores".

De acordo com o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM)), Luís Cavaco, a greve dos trabalhadores da Somincor manteve uma forte adesão neste penúltimo dia de paralisação, com as lavarias de minério e o poço de extração "parados" e só com "serviços mínimos" a decorrer no fundo da mina.

Os trabalhadores avançaram para o protesto pelo fim do regime de laboração contínua no fundo da mina e pela humanização dos horários de trabalho. Entre as reivindicações, inscritas na resolução do plenário e no pré-aviso de greve, estão ainda a antecipação da idade de reforma dos trabalhadores adstritos às lavarias, paste fill e backfill, a progressão nas carreiras, a revogação das alterações unilaterais na política de prémios e o fim da pressão e repressão sobre os trabalhadores.

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