"A pretexto de uma hipotética sensibilidade social (...), o ilusionismo de Paulo Portas ficou mais uma vez expresso quando veio rejeitar o imposto sobre as pensões e a guetização dos pensionistas, para depois subscrever essa mesma medida", declarou o secretário-geral da central sindical, Arménio Carlos, em conferência de imprensa na sede da CGTP, em Lisboa.
A central comentou hoje o Conselho de Ministros extraordinário, realizado no domingo e que visou confirmar as condições necessárias ao fecho da sétima avaliação da troika ao programa de ajustamento económico de Portugal.
Para Arménio Carlos, o atual Governo "manifesta um total desprezo por elementares princípios éticos e ignora ou subverte valores fundamentais que estruturam a vida em sociedade", numa "versão lusitana de uma tragédia grega que importa inverter urgentemente".
Para a CGTP, são "intoleráveis" medidas que "visem a criação de uma espécie de imposto sobre todas as pensões, reformulando, de forma agravada, a atual contribuição extraordinária de solidariedade".
A central diz que tais medidas "descredibilizam a política" e vai mais longe, pedindo ao Executivo que cumpra o princípio da "não retroatividade das leis".
Arménio Carlos apelou ainda à participação em massa na manifestação agendada pela central sindical para 25 de maio em Belém, e apontou também críticas à agenda do próximo Conselho de Estado, dedicado ao pós-troika e marcado por Cavaco Silva para 20 de maio.
"A ordem de trabalhos não corresponde à realidade do país", advertiu Arménio Carlos.
Também hoje, o movimento “Que se Lixe a Troika” marcou uma concentração para o Conselho de Estado a decorrer às 17 horas do próximo dia 20 de Maio, sob o lema “Obviamente estão todos demitidos!”.