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Celtejo instaura processo contra ambientalista

A empresa Celtejo instaurou um processo contra Arlindo Marques, do movimento proTEJO, por este ter vindo a denunciar episódios de poluição no Tejo associados à empresa. Para o ambientalista, este processo "pretende silenciar vozes incómodas”.
Celtejo instaura processo contra ambientalista
Foto de Arlindo Marques.

Em causa, segundo o texto do processo que a Celtejo - Empresa Celulose do Tejo, SA, instalada em Vila Velha de Rodão, Castelo Branco, instaurou a Arlindo Marques, guarda prisional de profissão e conhecido no distrito de Santarém como o "guardião do Tejo", estão "afirmações que têm por objetivo gerar na opinião pública a ideia de que a autora [do processo] é responsável, ou co-responsável, pela alegada poluição do rio Tejo".

O documento, citado pela Lusa, foi entregue no Tribunal Judicial de Santarém a 12 de dezembro e reclama ao ambientalista 250 mil euros, acrescidos de juros de mora até integral pagamento, para "compensar a autora pelos danos sofridos por causa da ofensa cometida".



O processo, com 90 páginas, é sustentado com imagens publicadas nas redes sociais e cópias de notícias de vários órgãos de comunicação social com as denúncias e entrevistas do ambientalista que a Celtejo considera difamatórias.

Processo da Celtejo "pretende silenciar vozes incómodas”

Contactado pela Lusa, Arlindo Marques disse estar "triste e indignado com este processo", tendo afirmado que o mesmo "pretende silenciar vozes incómodas num caso de autêntico terrorismo psicológico".

Segundo o ambientalista, "os casos de denúncia de situações de poluição têm aumentado de visibilidade graças ao trabalho de cidadania dos populares e do movimento proTEJO", tendo afirmado que "toda a gente vê, toda a gente sabe, que a poluição vem de lá", referindo-se a Vila Velha de Rodão, localidade onde está instalada a unidade da Celtejo.

"Para montante de Vila Velha de Rodão já não há aquela poluição, nada disto se passa, pelo que acho que é lamentável virem querer atacar um simples cidadão que está no exercício dos seus deveres e obrigações de cidadania. Não estou arrependido e vou continuar a denunciar estes casos de poluição, enquanto eles existirem", afirmou, tendo manifestado a "esperança de ainda ver o rio correr limpo".

"Vou defender-me, conto com o apoio de muita gente que está revoltada com este processo e acho que esta indemnização que me estão a pedir deviam ser eles a pagar. Não a mim, mas aos pescadores, que ficaram privados do seu ganha-pão, e por todos os prejuízos que têm causado em termos ambientais", concluiu.

Solidários com “o guardião do rio Tejo”

Os primeiros apoios a Arlindo Marques chegaram através do porta-voz do Movimento pelo Tejo - proTEJO, tendo Paulo Constantino afirmado que o ambientalista "tem sido a voz e os olhos das populações ribeirinhas" e que a acusação "não tem sentido, sendo antes uma oportunidade para saber quem é quem na poluição do Tejo".

Também a Assembleia Municipal de Mação, município do distrito de Santarém, já se pronunciou sobre este processo, tendo aprovado por unanimidade uma moção, nesta quarta-feira, denominada "Arlindo Marques atuou como porta-voz de Mação" e que visa apoiar financeiramente a defesa judicial do ambientalista.

No parlamento, esta quinta-feira, o deputado do Bloco de Esquerda, Carlos Matias, pronunciou-se solidariamente sobre o caso de Arlindo Marques, alegando a existência de documentos que confirmam a responsabilidade da Celtejo sobre os níveis de poluição no rio Tejo. O vídeo da sua intervenção foi partilhado pelo próprio ambientalista, na sua página no Facebook:

 

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