No debate desta sexta-feira na Assembleia da República, a coordenadora do Bloco de Esquerda desafiou Passos Coelho a demitir-se, afirmando que o Governo está "completamente isolado" e salientando que "o CDS, o seu parceiro de coligação, hoje esteve tão animado como num velório e o seu parceiro de coligação Paulo Portas anda escondido a inaugurar ginásios e a batizar eventos desportivos. Não há ninguém que possa já suportar este Governo".
Catarina Martins começou por se referir ao anúncio da apresentação de uma moção de censura pelo PS, lembrando que em setembro o PS recusou apresentá-la, “quando o Bloco de Esquerda convidou todas as oposições a juntarem-se na censura ao Governo”. Questionando o que o país ganhou com a demora, a deputada do Bloco respondeu: “cem mil novos desempregados e desempregadas, roubo de mais dois meses de salários e pensões”. E sobre o assunto rematou: “Se há seis meses tínhamos razões para censurar o Governo, cem mil desempregados depois a conclusão só pode ser a mesma”.
Catarina Martins questionou também Passos Coelho sobre quantos funcionários públicos quer “mandar para o desemprego”. O primeiro-ministro não respondeu à pergunta e a deputada acusou-o: “Não diz quantos funcionários quer despedir na função pública, não diz o que pensa fazer aos professores que vão ser obrigados a viajar do Porto a Bragança ou de Lisboa a Portalegre, não diz nada sobre a crise social que o país atravessa, ao desemprego responde apenas com mais desemprego”.
Salientando que “vivemos um momento histórico” em que “centrais sindicais e confederações patronais estão disponíveis para um acordo sobre o salário mínimo”, a coordenadora do Bloco de Esquerda acusou o Governo de ser o único que não quer subir o salário mínimo. E, sobre o salário mínimo e a concertação social sublinhou que “a palavra do governo não vale nada”, “que o governo não respeita nada nem ninguém, nem a concertação social” e “que a única política do governo para Portugal é a política dos salários baixos”.