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Catarina desafia Costa para um debate amplo que ponha a escola ao serviço da igualdade

No debate quinzenal com o primeiro-ministro, a coordenadora do Bloco voltou a criticar o recuo do PS no corte das rendas às elétricas e questionou também António Costa sobre a estratégia do governo no eurogrupo para promover as mudanças que tem defendido.

“Uma em cada cinco crianças vive em situação de pobreza e são aquelas que estão a ser deixadas para trás no nosso sistema de ensino. Há o dobro dos chumbos nas crianças das famílias mais pobres, e essa é a herança pesada de Nuno Crato”, afirmou Catarina Martins na intervenção em que desafiou o primeiro-ministro para “um debate amplo sobre a educação, que volte a pôr o nosso país num rumo em que a escola seja caminho da igualdade e não caminho da exclusão”.

“Não se para o empobrecimento se não travarmos o método Crato que foi feito para só 30% dos alunos terem aproveitamento pleno, tal como o próprio Nuno Crato dizia”, prosseguiu Catarina, desafiando também o governo para “ter a coragem de resgatar as cantinas” que prestam um serviço péssimo em muitas escolas.

“Portugal exige uma aposta na educação que consiga fazer mudanças de fundo” ainda durante esta legislatura, defendeu Catarina, lembrando os passos que foram dados pela atual maioria e que se traduziram ainda recentemente no Orçamento para 2018, por proposta do Bloco, na aprovação da redução do número de alunos por turma, e também na negociação das carreiras dos professores. “Agora é o momento de olhar para as metas curriculares e para o que foi a imposição de programas impossíveis por Nuno Crato, que foram feitas contra as associações de professores e todos os bons exemplos internacionais”, concluiu.

“Uma república das bananas é aquela que faz os contratos sempre à medida dos interesses económicos”

A polémica do dia da votação do Orçamento não passou ao lado deste debate quinzenal, com António Costa a defender o voto contra a contribuição das renováveis por causa do risco do financiamento externo e por se tratarem de contratos em vigor num estado de direito.

“Ouvi o primeiro-ministro dizer que não se podem alterar contratos a meio, mas foi exatamente isso que o anterior governo fez: alterou os contratos das eólicas a meio e como disse o ministro da Economia, e bem, transformou renda em renda e meia”, afirmou Catarina Martins, acrescentando que  “as empresas de energia têm feito tudo o que querem com os contratos”.

“Um estado de direito é o que cumpre os compromissos com os seus cidadãos. Uma república das bananas é aquela que faz os contratos sempre à medida dos interesses económicos”, concluiu Catarina.

Na resposta, António Costa elencou as medidas tomadas no corte das rendas, como a revogação do despacho do anterior governo que permitia repercutir a CESE e a tarifa social na fatura, ou a revogação dos direitos caducados dos contratos de exploração de petróleo no Algarve. “O poder num estado de direito exerce-se no estrito cumprimento da Constituição e da lei (…) mesmo quando é difícil e incorreto cumprir”, concluiu o primeiro-ministro.

Centeno no Eurogrupo: “Qual é a estratégia do governo para a mudança que defende?”

No debate quinzenal desta quarta-feira, a coordenadora do Bloco começou por referir-se à escolha de Mário Centeno para presidir ao Eurogrupo, lembrando as críticas do ministro das Finanças à atual arquitetura do euro, no sentido de estar “a criar divergência em vez de convergência” e a afastar países como Portugal da convergência com países como a Alemanha. E não esqueceu a postura do Eurogrupo nos últimos anos na humilhação da Grécia e nos insultos aos países do sul, protagonizados pelo presidente cessante, Jeroen Dijsselbloem.  

“Ouvimos o primeiro-ministro dizer após a eleição de Mário Centeno que esta é a altura para dar prioridade ao emprego e à convergência. Mas qual é a estratégia do governo para essa mudança?”, questionou.

Na resposta, António Costa afirmou que “não esquecemos o que foi dito sobre os países do sul, não esquecemos como o Eurogrupo se relacionou com a Grécia. E sabemos que é necessário fazer diferente”. “Quem não vai a jogo perdeu à partida e nós não podemos perder por falta de comparência. É melhor ir a jogo presidindo àquele grupo”, defendeu o primeiro-ministro, classificando de “derrotista” a ideia de que “na Europa dos 28 ou dos 19 só um é que manda”. “Ao ter um presidente do Sul não voltaremos a ouvir um presidente do Eurogrupo a referir-se aos países do sul como fez o que acaba de sair”, concluiu.

Em seguida,  Catarina refutou as acusações de derrotismo. “Derrotismo seria considerarmos que teríamos de ficar para sempre com uma dívida pública que tem um peso que sangra a nossa economia e não pode ser restruturada”, afirmou a coordenadora do Bloco, dizendo que é evidente que a mudança necessária na Europa “não vai passar pelo Eurogrupo”.

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"Uma república das bananas é que faz contratos à medida dos interesses económicos"

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