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Catalunha: independentistas conseguem maioria absoluta

Nas eleições para a Generalitat, que tiveram uma participação histórica de quase 82%, os Ciudadanos tornaram-se na primeira força política, mas os independentistas renovaram a  maioria absoluta. O grande perdedor é o PP, que perdeu mais de metade dos mandatos de 2015.
Foto de Quique Garcia/ EPA/ LUSA.

O futuro da Catalunha foi a votos, nesta quinta-feira, registando uma participação histórica de quase 82%, superando assim a das eleições de 2015, que ficou perto dos 75%.

Com mais de 99% dos votos apurados, os resultados indicam que o Ciudadanos se converteu na primeira força política no parlamento catalão, com 25,4% dos votos (37 mandatos), embora sem a possibilidade de formar um governo ou articular um bloco não independentista.

A maioria dos votos está concentrada nas forças independentistas, lideradas pelo partido de Carles Puigdemont, o Juntos pela Catalunha, com 21,7% (34 mandatos), seguida pela ERC, com 21,4% (32 mandatos) e a CUP, que teve 4,5% (4 mandatos).

A candidatura En Comú-Podem conseguiu 8 mandatos, com 7,5% dos votos. Já o PSC obteve 13,8% dos votos, elegendo 17 deputados.

A solução do Primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, de forçar a marcação de novas eleições na Catalunha, acabou por se converter num duro golpe para o seu partido, o Partido Popular, que perdeu mais de metade dos mandatos obtidos em 2015 (11 mandatos). Nestas eleições, consegue eleger apenas 3 deputados, com um resultado residual de 4,2% dos votos. Xavier García Albiol, candidato do PP, já reconheceu o “mau” resultado do seu partido: “Não nos podemos sentir orgulhosos; hoje é um dia mau para o PP da Catalunha”.

Resultados do 21D | Eleições na Catalunha. Fonte El Diario.

Carles Puigdemont: “A República catalã ganhou à monarquia do 155”

Reagindo aos resultados destas eleições, numa conferência de imprensa em Bruxelas, Carles Puigdemont, líder do Juntos pela Catalunha e presidente destituído da Generalitat, afirmou que a “República catalã ganhou à monarquia do 155”. “Que o percebam bem, que tomem nota”, sublinhou, acrescentando que o derrotado foi “o Estado espanhol, Rajoy e os seus aliados", pois "perderam o plebiscito com o qual queriam legitimar o golpe de Estado do 155”.

“Os presos devem sair já da prisão e o governo legítimo deve voltar já ao Palau da Generalitat, que é onde nos querem os nossos cidadãos”, disse ainda Puigdemont, alegando que “a receita de Rajoy não funciona” e que “há uma maioria na Catalunha que exige o referendo”. “Ganhámos o direito a ser escutados”, defendeu por fim, apelando à União Europeia para que esta tome posição.

Para a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), a terceira força no parlamento catalão, "o resumo desta noite é muito simples: o independentismo voltou a ganhar e Mariano Rajoy perdeu, e apesar da ofensiva policial e da ofensiva mediática do Governo espanhol”, afirmou Marta Rovira, número dois da lista do partido, cujo líder, Oriol Junqueras, é um dos presos políticos.

Por seu turno, a cabeça de lista dos Ciudadanos, Inés Arrimadas, proferiu um curto discurso, sublinhando o resultado do seu partido nestas eleições e defendendo que agora “os partidos independentistas não poderão falar mais em nome da Catalunha”.

Já o Partido Socialista da Catalunha não deixou de reconhecer a derrota. Reagindo logo após a divulgação dos resultados provisórios, o seu primeiro-secretário, Miguel Iceta, afirmou que estes não foram os desejados: “Estes não eram os resultados que procurávamos, não conseguimos uma maioria não independentista”.

Xavier Domènech: “Garantiremos a oposição à direita de todas as cores”

A candidatura Catalunya en Comú – Podem foi liderada por Xavier Domènech, que assumiu o compromisso de uma oposição à esquerda, contra a “direita de todas as cores” e para “colocar os direitos sociais no centro”.

 

[notícia atualizada às 01h30, 22.12.17]

 

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