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Carlos César faz queixa do deputado que apoiou corte de rendas das elétricas

O líder da bancada do PS quer que o partido se pronuncie sobre a ação do deputado Ascenso Simões, o único socialista a votar duas vezes a favor da proposta para criar uma contribuição às grandes empresas com tarifas subsidiadas no setor das renováveis.
Ascenso Simões no debate orçamental de novembro.

O líder da bancada parlamentar do PS enviou uma carta à comissão de jurisdição do partido, pedindo-lhe que se pronuncie sobre o voto de Ascenso Simões na proposta do Bloco para prosseguir os cortes nas rendas excessivas que poem os portugueses a pagar as faturas de eletricidade mais caras da Europa.

Segundo o jornal Público, a carta de Carlos César pede que seja “clarificado e aplicado o normativo correspondente em matérias de disciplina de voto” para o “correcto funcionamento do grupo parlamentar”. O líder parlamentar recorda ainda que os estatutos do PS e o regulamento da bancada obrigam à disciplina de voto em matéria orçamental, o que era o caso desta proposta.

Na sexta-feira, dia 24 de novembro, o deputado Ascenso Simões votou a favor da proposta, cumprindo a disciplina de voto na bancada. Mas passadas 72 horas, a disciplina de voto da bancada socialista inverteu-se, agora orientada para o voto contra, e não foi acompanhada por Ascenso Simões.

Em declarações ao semanário Sol, o deputado diz que o fez por “um princípio de honradez e de assunção dos compromissos”, para além de entender que a proposta, então chumbada pelo PS, é “correta” e dirigida a “todos aqueles que ainda continuam a viver de grandes rendas fruto de uma circunstância em que o Estado português com eles fez acordos”.

 



 

Ascenso Simões deixou também críticas à forma como o seu grupo parlamentar geriu o episódio que marcou o dia da aprovação do Orçamento do Estado para 2018, dizendo que “se eu tivesse a responsabilidade, teria, no início do debate, pedido a palavra e tinha pedido desculpa ao Bloco de Esquerda (…) Isso é que seria estar à altura dos acontecimentos. Isso é que é ser um político com P grande. Nós não fizemos isso”.

“O presidente do grupo parlamentar do PS diz que não estamos reféns dos partidos que apoiam o Governo, mas é claro que estamos. Temos com os partidos que apoiam a maioria uma posição tripla: política, de honradez pessoal e de dignidade institucional”, afirmou Ascenso Simões. 

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