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Campanha “Empregos para o Clima” propõe criação de 100 mil empregos

Um conjunto de organizações ambientalistas e sindicais propõe, para os próximos 15 anos, a criação de 100 mil postos de emprego que garantam um corte de 65% das emissões de gases com efeito de estufa.

No seu novo relatório, a ser apresentado esta quinta-feira, a partir das 19h, no CES-Lisboa (Picoas Plaza), a campanha “Empregos para o Clima” propõe a criação de 100 mil novos empregos no setor público - em energias renováveis, nos transportes públicos, na eficiência energética e na floresta -, o que permitiria reduzir as emissões de gases de efeito de estufa em 60-70% nos próximos 15 anos.

“Esta meta é o mínimo exigível para limitar o aquecimento global por 2ºC em relação aos níveis pré-industriais, isto é, para cumprir o Acordo de Paris”, referem os dinamizadores da campanha.

Segundo Sinan Eden, um dos editores do relatório e ativista do Climáximo, a campanha conta com o apoio de vários sindicatos e organizações ambientalistas e é um passo importante para construir um movimento pela justiça climática e social que responda ao desafio das alterações climáticas.

“O Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 que o governo apresentou na semana passada visa cortar as emissões entre 11 e 24% até 2030, que significa um caminho para 4ºC de aquecimento global”, frisou o ativista, salientando que a falta de ambição dos governos deve ser contestada pelos movimentos sociais.

Segundo o investigador em alterações climáticas João Camargo, que também pertence à Climáximo, no relatório para Portugal, que vai ser apresentado esta quinta-feira em Lisboa, é referida a a criação de cerca de 45 mil empregos nas energias renováveis, para tornar renovável toda a produção de energia em Portugal, e de 20 mil a 30 mil empregos na área de transportes, o que implica a transformação da rede de transportes públicos, com a sua eletrificação, mas também, de forma progressiva e acelerada, do parque automóvel.

São ainda propostos "cerca de 27 mil empregos na requalificação energética de edifícios, 10 a 30 mil empregos na área da agricultura e cerca de 16 a 21 mil empregos na área da floresta", essencialmente na captura de carbono e no combate aos incêndios, "para poder ter o sumidouro de carbono tantas vezes anunciado", acrescentou.

O documento refere também a criação de cerca de quatro mil novos empregos relacionados com a transição de pessoas que trabalham em setores agora altamente poluentes.

"Estes 100 mil empregos são empregos líquidos, estamos a contabilizar empregos que desapareceriam por estarem associados a atividades muito próximas da emissão de gases com efeito de estufa, nomeadamente a produção elétrica", explicou João Camargo.

No que respeita aos transportes, o investigador fez referência a "uma expansão muito séria da rede ferroviária nacional que está em regressão desde os anos 70", apostando tanto na parte nacional como na urbana, assim como a possibilidade de financiar o abandono do carro individual a partir da descida dos preços do transporte público, com tendência à gratuitidade, "a grande solução que permitira fazer a transição".

De acordo com João Camargo, a campanha parte do princípio que estes empregos são públicos e a iniciativa para a transição é pública, estimando "um investimento entre três e cinco mil milhões de euros por ano".

Já "os custos das alterações climáticas até ao momento são de cerca de 6,8 mil milhões de euros", lembrou.

Para o ativista, o Roteiro para a Neutralidade Carbónica, apresentado na semana passada pelo Governo, é "uma farsa", na medida em que os cortes propostos traduzir-se-iam num aumento da temperatura de quatro graus celsius até 2100.

A campanha "Empregos para o Clima", a decorrer em vários países, como França, África do Sul e em alguns estados dos EUA, abrange várias associações, movimentos sociais ou ambientalistas e sindicatos, e visa criar um plano para alcançar emissões nulas de gases com efeito de estufa num período muito curto de tempo e combater as alterações climáticas.

A sessão de lançamento do relatório da campanha sobre Portugal tem lugar esta quinta-feira pelas 19h e conta com intervenções de Manuel Carvalho da Silva, ex-coordenador da CGTP-IN e diretor do CES-Lisboa, Américo Monteiro, membro da comissão executiva da CGTP-IN e responsável do Departamento para o Desenvolvimento Sustentável, e Ana Delicado, investigadora em alterações climáticas no Instituto de Ciências Sociais – Universidade de Lisboa.

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