Cânticos racistas ensombram Euro 2012

Um treino da seleção holandesa de futebol ficou marcado pelos cânticos racistas vindos do público polaco. A UEFA diz que foi um protesto por a cidade de Cracóvia não ter sido escolhida para receber jogos. "Pior do que não ouvir é não querer ouvir", respondeu Van Bommel, capitão da equipa holandesa.
Foto FARE network/Flickr

"É uma desgraça ser confrontado com isto, especialmente no dia em que fomos visitar Auschwitz", reagiu o capitão de equipa holandês, Mark Van Bommel, aos cânticos dirigidos aos jogadores negros da equipa. As manifestações de racismo nos estádios da Polónia e da Ucrânia durante o Euro 2012 podem vir a ensombrar a competição, mas a UEFA, que nas restantes competições que organiza tem tido mão dura com cânticos semelhantes, diz agora que "não tem planos para lançar uma investigação" ao sucedido no treino holandês de quinta-feira.  

Quem criticou esta atitude do organismo liderado por Michel Platini foi o diretor executivo da campanha "Futebol contra o Racismo na Europa". Citado pelo jornal inglês Guardian, Piara Powar diz que é importante que a UEFA fala qualquer coisa sobre o sucedido. "O Van Bommel não tem qualquer motivo para inventar uma situação destas e estamos ao lado dele. É bem claro o que aconteceu", diz o diretor da campanha antirracista nos estádios de futebol, criticando a falta de firmeza da UEFA.

A posição da UEFA na Polónia contrasta com a sua atuação no passado recente. Ainda há dois meses, a UEFA multou o FC Porto em 20 mil euros por insultos racistas do público dirigidos a Mario Ballotelli e Yaya Touré no jogo disputado no Estádio do Dragão com o Manchester City, a contar para os 16 avos-de-final da Liga Europa. O clube português ainda argumentou que o público estaria a gritar repetidamente pelo nome do seu avançado Hulk, mas a UEFA não deixou passar em claro o cântico racista presente em muitos estádios, em que o público imita o som de macacos quando um jogador negro - a jogar na equipa adversária - toca na bola.

Mario Ballotelli foi justamente o primeiro a levantar a voz contra o racismo no Europeu. "Não posso permitir isso. Espero que nós não tenhamos problemas como esse no Euro, porque se acontecer eu vou deixar o campo e vou para casa. Nós estamos em 2012, isso não pode acontecer", alertou o avançado da seleção italiana. O seu treinador, Cesare Prandelli, prometeu que se isso acontecer, todos os elementos do banco irão entrar no terreno de jogo, obrigando à sua interrupção.

Segundo o jornal Público, o racismo no Euro 2012 está também a dar que falar em Inglaterra, depois da BBC ter transmitido o documentário "Estádios de Ódio", que mostra a ação dos grupos de extrema-direita nos estádios polacos e ucranianos. No mesmo documentário, o antigo futebolista da seleção inglesa, Sol Campbell, aconselhou os britânicos a verem os jogos pela televisão em casa, em vez de viajarem à Polónia ou Ucrânia.

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