Segundo o jornal New York Times, o rumor foi confirmado esta quinta-feira pela própria petrolífera inglesa, que admitiu ter feito lóbi junto do governo de Tony Blair pela assinatura dum acordo de transferência de prisioneiros com a Líbia. Khadaffi queria o regresso à Líbia de Abdel al-Megrahi, o único condenado pelo atentado ao avião que matou 270 pessoas, 190 das quais norte-americanas.
Al-Megrahi nunca assumiu a autoria do atentado e cumpriu 8 anos da pena de prisão perpétua a que foi condenado. O motivo apresentado pela justiça escocesa para o libertar foi o estado avançado de um cancro na próstata, com o médico que o assistia a dar-lhe apenas mais alguns meses de vida. Para aumentar a fúria da administração norte-americana, o prisioneiro acabou por ser recebido em festa à chegada a Tripoli, onde ainda se encontra passado um ano. Há poucas semanas, o médico oncologista que o assistiu afirmou estar "embaraçado" com o prognóstico falhado e veio admitir que al-Megrahi poderá ainda viver mais de dez anos.
Em comunicado, a BP admite ter expresso a preocupação da empresa ao governo britânico com a demora na assinatura do acordo de transferência de prisioneiros porque estava em causa a ratificação pelo governo líbio de um acordo de exploração de petróleo e gás no valor de 900 milhões de dólares.
Vários senadores norte-americanos escreveram à Secretária de Estado Hillary Clinton a pedir uma investigação ao papel da BP na assinatura do acordo entre os governos britânico e líbio. O senador democrata nova-iorquino Charles Shumer defendeu que a BP deve congelar as suas operações na Líbia porque "não se deve permitir que beneficie deste negócio à custa das vítimas do terrorismo".
A notícia veio ensombrar o anúncio da BP de que pela primeira vez deu resultado um dos muitos testes efectuados para tapar a fuga de petróleo que dura desde Abril no Golfo do México e que é a maior catástrofe ecológica da história dos EUA. Mas esta selagem bem sucedida pode não ser a solução definitiva para a fuga e está a ser monitorizada em permanência. Questionado sobre este avanço nas operações de contenção do derrame, o presidente Barack Obama declarou apenas que "é um sinal positivo, mas estamos ainda na fase de testes e só poderei dizer mais amanhã".
BP ajudou a libertar terrorista líbio
15 de julho 2010 - 23:48
No dia em que a BP anunciou que conseguiu conter pela primeira vez o derrame de petróleo para o Golfo do México, ficou também a saber que os norte-americanos a vão investigar por ter pressionado o governo inglês a libertar o líbio condenado pelo atentado de Lockerbie.
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Abdel al-Megrahi foi libertado em Agosto de 2009 e entregue à Líbia, com a justiça escocesa a afirmar que teria poucos meses de vida. O autor do diagnóstico diz agora que pode viver mais de dez anos.