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Bloco recusa “ideia de que só têm acesso às cidades os privilegiados”

Reagindo às declarações de Assunção Cristas, Catarina Martins frisou que “a direita que aumentou as rendas será incapaz de dar uma resposta pelo direito das pessoas”. Assim como o PS, “como se vê com Medina em Lisboa ou com o apoio a Rui Moreira no Porto”.
Foto de Paulete Matos.

No encerramento da sessão pública “Viver a Cidade – o que fazer com a Cultura?”, que teve lugar no Conservatório de Música do Porto, a coordenadora bloquista criticou a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, por, recentemente, ao olhar “para uns terrenos onde se pode construir”, ter tido a “ideia fantástica” de sugerir que nessa construção existissem “apartamentos para arrendar com rendas entre os 500 e os 1.300 euros”, que considerou um preço “já adequado” por se tratar de “uma zona servida de transportes públicos e serviços públicos”.

Sinalizando que “a renda mais baixa para um T0 já começava acima do salário mínimo líquido”, pelo que “um T2 custará certamente mais do que é o salário médio líquido em Portugal”, Catarina Martins criticou que “para a direita” seja “normal que quem trabalha a tempo inteiro e recebe o salário médio não possa viver nos sítios das cidades onde há transportes e serviços públicos”.

“Onde pode então viver quem faz este país”, questionou, defendendo a “responsabilidade das políticas públicas centrais e locais” em assegurar “rendas controladas que respondam ao que as pessoas possam efetivamente pagar tendo em conta os seus salários”, em oposição a “esta ideia de que só têm acesso às cidades os privilegiados”.

O direito à cidade e à habitação depende, em grande medida, da força que o Bloco possa ter nas próximas eleições autárquicas

Se a proposta de Assunção Cristas, que é candidata à Câmara de Lisboa e apoiante de Rui Moreira no Porto, “de que rendas razoáveis é entre 500 e 1.300 euros” prova que “a direita que aumentou o preço das rendas no país será incapaz de dar uma resposta pelo direito das pessoas, da mesma forma também o Partido Socialista não [o] é, como se vê com Medina em Lisboa ou com o apoio a Rui Moreira no Porto”, referiu a dirigente do Bloco.

Destacando que “a conquista do direito à cidade é feita à esquerda”, Catarina Martins afirmou que “o direito à cidade e à habitação depende, em grande medida, da força que o Bloco possa ter nas próximas eleições autárquicas”.

A deputada avançou ainda que o Bloco tem atualmente um debate grande com o Governo sobre o “património abandonado um pouco por todo o país”, sendo que os bloquistas apresentaram um projeto de resolução que Catarina Martins espera ver aprovado.

Segundo a dirigente bloquista, projetos como o REVIVE – Reabilitação, Património e Turismo “só podem ir para a frente se o debate público sobre a reabilitação, os programas de uso, for participado, em cada local, pelas populações que são donas daquele património. E, do mesmo modo, não pode nunca o acesso a esse património ser fechado”.

Orçamento para a Cultura é vergonhosamente baixo

Catarina Martins lembrou que “as políticas públicas de Cultura têm vindo a ser destruídas nos últimos anos na Europa”, o que serve “um projeto neoliberal e de isolamento de cada um de nós”.

“O ataque às políticas públicas de Cultura é, em boa medida, tanto o produto como a causa da crise em que vivemos”, defendeu. 

A política pública para a Cultura é onde, em boa medida, se debate hoje a qualidade da democracia e a nossa própria liberdade

No que se refere a Portugal, a deputada sinalizou que “o Orçamento do Estado para a Cultura não só é vergonhosamente baixo e igual, se não pior aos orçamentos para a Cultura do tempo do PSD/CDS, como não se regista nenhuma evolução, nem no que diz respeito à forma como se encaram os equipamentos públicos de cultura, nem o tecido profissional da cultura, nem mesmo a saudável, democrática e transparente forma de se poder distribuir os poucos e escassos meios que existem para a Cultura”.

Frisando que “para o Bloco a política cultural não está esquecida”, Catarina Martins assegurou que os bloquistas farão “tudo, não apenas do ponto de vista da disputa local nas eleições autárquicas, mas também no debate no Parlamento, para que a Cultura não fique de fora e possa ter, pelo menos, um orçamento um pouco mais decente”.

Para a dirigente do Bloco, “é um problema” para Portugal “que a cultura continue de fora do acordo para parar o empobrecimento do país” e esquecida nas políticas públicas.

"A política pública para a Cultura é onde, em boa medida, se debate hoje a qualidade da democracia e a nossa própria liberdade", frisou.

Turismo sim mas com regras para podermos continuar a viver nas nossas cidades

A deputada falou ainda sobre como “os lucros que o Turismo gera têm vindo a servir o crescimento de alguns negócios, mas pesam muito sobre os custos sociais e de infraestruturas que não recebem uma distribuição do dinheiro gerado”.

Catarina Martins fez referência aos problemas que se têm vindo a sentir a nível da sobrecarga dos transportes, do acesso à habitação e da degradação das infraestruturas.

A dirigente bloquista sublinhou a importância do Turismo, mas defendeu que é preciso haver “regras para podermos continuar a viver nas nossas cidades”.

Candidatura bloquista assentará numa “proposta e num projeto socialistas”

João Semedo, candidato do Bloco à Câmara do Porto.

O candidato do Bloco à Câmara do Porto, João Semedo, criticou a atual “política espetáculo, da fantasia e da ilusão”, assinalando que se “há uns anos” o então autarca do Porto Rui Rio responderia à questão “o que fazer com a cultura tirando do bolso uma máquina calculadora”, o atual presidente da Câmara, Rui Moreira, “tirava uma ‘selfie’”.

Destacando que a sua candidatura convidará “a ver para além da cortina da ilusão”, Semedo teceu críticas à pressão causada pelo aumento do turismo no Porto, lamentando que mais do que uma “economia que beneficia a cidade”, o Turismo seja, neste momento, “um negócio que beneficia alguns”.

O ex-coordenador do Bloco afirmou que, “vamos disputar as eleições com dois candidatos de direita”, lembrando que o próprio presidente do governo regional da Madeira afirma que Rui Moreira “é um homem de direita”.

Segundo João Semedo, o apoio do CDS ao atual presidente da Câmara do Porto “não é de estranhar”, o facto de o PS também apoiar Rui Moreira é que “não fazia parte do programa”.

O candidato bloquista assegurou que a sua candidatura assentará numa “proposta e num projeto socialistas” que pretendem mobilizar “os socialistas e a esquerda”.

A sessão contou ainda com intervenções de Tiago Ivo Cruz, Maria Luísa Cabral, Margarida Moleiro, Ada Pereira da Silva, Maria José Vitorino, Pedro Rodrigues, Jorge Campos, António Capelo, Mário Moutinho, Pedro Sousa Loureiro, Marcelo Expósito Prieto, João Teixeira Lopes e Rui Matoso. 

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