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Bloco questiona Governo sobre reivindicações "justas e necessárias" dos enfermeiros

O deputado Moisés Ferreira considera que tem de haver mudanças no SNS e questiona o Ministro da Saúde sobre o calendário para a implementação de medidas, como o descongelamento das carreiras e a valorização remuneratória para os enfermeiros especialistas.
Enfermeiros manifestam-se em frente ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, 11 de setembro de 2017. Foto de Rodrigo Antunes/ LUSA.
Enfermeiros manifestam-se em frente ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, 11 de setembro de 2017. Foto de Rodrigo Antunes/ LUSA.

Na pergunta dirigida ao Ministério da Saúde, o deputado do Bloco Moisés Ferreira considera que o Governo "deve, rapidamente, apresentar propostas que valorizem os enfermeiros especialistas, que descongelem as carreiras, que reponham o valor das horas de qualidade, que garantam as 35 horas [semanais] a todos os enfermeiros, assim como a contratação de mais profissionais".

Para o Bloco, estas medidas devem ter "um plano e prazo de concretização, para que, de uma vez por todas, se faça justiça a estes profissionais", e ser acompanhadas de um maior investimento e financiamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Estas medidas devem incluir também a contratação de mais profissionais de enfermagem para o sistema público, defende Moisés Ferreira. “Grande parte das unidades de saúde não cumprem com as dotações seguras, o mesmo é dizer, que não tem o número de enfermeiros que são necessários para o funcionamento dos serviços; por isso mesmo, o Bloco de Esquerda apresentou, e fez aprovar na discussão do último Orçamento do Estado, um concurso extraordinário para contratação de mais enfermeiros para o SNS”, lê-se ainda na pergunta, entregue esta segunda-feira.

“Não se pode aceitar que o SNS, passado dois anos de Governo do PS, continue numa situação em que quase tudo continua na mesma”, critica o deputado, acrescentando que para o Bloco, “é tempo de o Governo concretizar medidas de desenvolvimento do nosso Serviço Nacional de Saúde”.

“As opções políticas do Governo não se podem centrar numa gestão do défice que condiciona centenas de milhões de euros que deveriam estar a ser canalizados para o investimento dos serviços públicos”, conclui Moisés Ferreira.

Segunda dia de greve dos enfermeiros com adesão de 86 por cento

A greve que teve início esta segunda-feira foi marcada pelo Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPE) e pelo Sindicato dos Enfermeiros, e decorrerá até sexta-feira, reivindicando a atualização gradual dos salários e a integração da categoria de especialista na carreira, incluindo uma valorização remuneratória. Enfermeiros e enfermeiras reclamam ainda a aplicação do regime das 35 horas semanais de trabalho para todos os profissionais.

O Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, irá encontrar-se com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), ainda esta terça-feira, depois de ter reunido com o Primeiro-ministro, no contexto da atual greve.

Esta madrugada, a adesão à greve dos enfermeiros foi de 86 por cento no primeiro turno, segundo o sindicalista José de Azevedo, citado pela Lusa.

O primeiro dia de greve, que teve uma adesão de 85 por cento, ficou marcado por várias manifestações de enfermeiros e enfermeiras, realizadas em frente de alguns dos principais hospitais portugueses, nomeadamente, no Porto, Coimbra e Lisboa, e por vigílias noturnas que juntaram dezenas de profissionais, como em Aveiro.

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