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Bloco quer investigação à atuação do INEM na esquadra de Alfragide

A equipa do INEM que levou ao hospital os jovens da Cova da Moura espancados na esquadra de Alfragide em 2005 registou os ferimentos como “queda acidental”.
Foto Paulete Matos

[Atualização a 17 de julho: Apesar de não ter desmentido a notícia do DN quando confrontado pelo jornal, o INEM veio posteriormente esclarecer que registou os ferimentos como agressões. Apenas os relatórios dos bombeiros chamados ao local falavam de queda acidental como estando na origem dos ferimentos]. Ler aqui o desmentido.

Segundo revela a edição deste domingo do Diário de Notícias, a equipa do INEM que se deslocou à esquadra de Alfragide no dia 5 de fevereiro de 2015 para levar os jovens agredidos ao hospital registou “queda acidental” com a causa dos ferimentos.

"Perante os factos tornados públicos e perante as dúvidas e questões que forçosamente se levantam, vai ser aberta uma investigação para avaliar a atuação do INEM e apurar se omitiram ou falsearam a causa dos ferimentos?", questiona o Bloco na pergunta dirigida pelo deputado Moisés Ferreira ao Ministro da Saúde.

Tanto o INEM como os bombeiros presentes no local disseram aos investigadores da Judiciária que a informação sobre as supostas “quedas acidentais” teria partido apenas dos agentes da PSP presentes, presumivelmente os mesmos que agora são acusados pelo Ministério Público pela prática dos crimes de falsificação de documento agravado, denúncia caluniosa, injúria agravada, ofensa à integridade física qualificada, falsidade de testemunho, tortura e outros tratamentos cruéis, degradantes ou desumanos e sequestro agravado.

Contactado pelo Diário de Notícias, o INEM, através de fonte oficial, diz ter “total confiança no serviço prestado pelos seus profissionais”, notando que estes “são solicitados após o acidente ou a doença ocorrer, ou seja, não presenciaram os factos que deram origem ao sinistro ou alegado crime”. Sobre a disparidade entre a causa apontada para os ferimentos e a natureza destes - de traumatismos cranianos a dentes partidos, passando por hematomas por todo o corpo e até a marca de uma bala de borracha disparada contra a coxa de um dos jovens -, a fonte do INEM diz apenas que os seus elementos “têm o dever constitucional, consagrado no Código de Ética dos Profissionais do INEM, de tratar qualquer cidadão de forma justa e imparcial, não devendo ser influenciados por informações de terceiros."

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