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Bloco quer acabar com apoios públicos às touradas

O Parlamento discute amanhã uma proposta do Bloco de Esquerda para colocar um ponto final nos apoios públicos aos espetáculos tauromáquicos e outro para alterar a lei da televisão, por forma a impedir a transmissão de touradas nos canais do serviço público.

O Bloco de Esquerda quer acabar com a promoção de touradas com recurso a dinheiros públicos. Lembrando que já se deu o caso de fundos europeus "para a agricultura e pecuária" que acabaram por ser desviados para a tauromaquia, a deputada Catarina Martins diz que, só em 2009, o Estado gastou "na ordem de um milhão de euros" com a realização de touradas.

“Fazemos a escolha de considerar que hoje, face ao que são as evidências científicas, não se pode negar que há sofrimento dos animais nas touradas e, portanto, não há razão nenhuma para excluir as touradas do que é a prática legislativa portuguesa em relação aos espetáculos que infligem sofrimento animal", defendeu a deputada do Bloco na apresentação das propostas que agora vão a votos no Parlamento.

Entendendo que “a realização de espetáculos com animais que impliquem o seu sofrimento físico ou psíquico não pode ser alvo de apoio institucional”, o Bloco não quer ver mais dinheiro dos contribuintes destinado à promoção “deste tipo de práticas”, como se pode ler no projecto de lei.

Mas não é apenas o dinheiro público que o Bloco quer dissociar das touradas. Inspirando-se no caso espanhol, onde a TVE está proibida de transmitir touradas desde 2006, Catarina Martins defende uma alteração à lei da televisão impedindo a transmissão televisiva destes eventos no canal público. Nos canais privados, a emissão será interdita durante o horário nobre, apenas podendo passar depois das 22h30 e sempre com recurso a “identificativo visual apropriado” .

Respondendo à disparidade de tratamento entre a RTP e os canais privados, a deputada do Bloco considera que “estamos a falar do serviço público de televisão e, naturalmente, quando falamos de exigências éticas, de padrões éticos de sociedade, as exigências para com o serviço público são naturalmente maiores. É isso também que define o serviço público", concluiu. 

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