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Bloco preocupado com PS não apresentar pacote de respostas aos fogos florestais

Catarina Martins manifestou preocupação por “o partido que está no governo” não ter “começado a debater o pacote de resposta aos fogos florestais que o OE 2018 precisa”, sublinhando que “nunca o país esteve tão preparado para mudanças” na floresta.
Catarina Martins sublinhou que “nunca o país esteve tão preparado para mudanças” na floresta e que “nunca o país cobrará tanto a incapacidade” em concretizar essas mudanças
Catarina Martins sublinhou que “nunca o país esteve tão preparado para mudanças” na floresta e que “nunca o país cobrará tanto a incapacidade” em concretizar essas mudanças

Realizou-se neste domingo, 12 de novembro de 2017, o 3º Fórum Floresta – que políticas públicas? do Bloco de Esquerda, que foi encerrado com uma intervenção de Catarina Martins, onde criticou o facto de, a menos de uma semana do debate do orçamento na especialidade na Assembleia da República, o PS ainda não ter começado a debater com os partidos que apoiam o governo o pacote de medidas para enfrentar a “tragédia dos fogos”. Os bloquistas irão “naturalmente, apresentar as propostas que tiverem de ser apresentadas”, assumiu.

Nunca o país esteve tão preparado para mudanças”

A coordenadora bloquista sublinhou que “nunca o país esteve tão preparado para mudanças” e que “nunca o país cobrará tanto a incapacidade” em concretizar essas mudanças.

Catarina Martins salientou que para responder à “tragédia dos fogos”, há “uma de duas maneiras: com coordenação entre as forças políticas para apresentarem medidas pensadas, estruturadas, que respondam tanto à urgência social, como à reconstrução do território, como a nova própria forma de prevenção e de defesa da floresta” e meios para a Proteção Civil, ou através de propostas avulsas. “As medidas avulsas, da direita à esquerda, por muito bondosas que sejam”, não “terão capacidade de fazer as mudanças de que o país precisa”, apontou.

Escolhas difíceis

Catarina Martins alertou que “o pior que podia sair da tragédia que o nosso país atravessou” seria, “o território ser entregue às entidades financeiras”, “por o Estado não intervir” ou por “não assumir as suas responsabilidades de controlo público do território”. “Garanto que a qualidade de vida das populações, a segurança do nosso território ou o meio ambiente em que vivemos será a última das prioridades” das entidades financeiras, afirmou, sublinhando que “são escolhas difíceis mas são escolhas que têm que ser feitas”.

“Podemos achar que este é o tempo dos pactos de regime à moda da direita, que acabam sempre por responder a interesses financeiros e nunca ter a coragem de preparar o futuro”, criticou Catarina Martins, defendendo “uma mudança na floresta e no território por acordos à esquerda, que coloquem no centro das opções políticas o desenvolvimento dos territórios, as condições concretas de vida da população que lá habita, e contrariar o abandono do território e com isto ter um país mais seguro e uma floresta mais protegida”.

O que é insustentável é um país abandonado”

Considerando que é preciso investimento público e serviços públicos “que sirvam todo o território”, Catarina Martins criticou. “temos de reconhecer como foi um tremendo erro encerrar escolas, centros de saúde, tribunais, hospitais, estações de correios, dizendo que era preciso encerrar porque não eram rentáveis”.

“Temos de saber escolher e a escolha tem de ser a reconstrução do que foi perdido e a reconstrução de melhores condições, valer pelo emprego (cada emprego destruído no interior [significa] mais abandono do território), valer pelas condições de vida das pessoas, reconstruir é reconstruir as casas e é reconstruir capacidade produtiva”, de forma mais segura, mais sustentável e “em nome das populações”, destacou.

A coordenadora do Bloco de Esquerda defendeu que é preciso “fazer a opção clara da gestão do combustível da rede primária”. “Ou seja, o Estado vai ter que entrar em terrenos privados e vai ter que limpar, vai ter que mudar, e é preciso ter a coragem de o assumir e vai ter naturalmente de ressarcir-se de gastos que tiver ou se os privados não quiserem”, salientou.

Catarina Martins apontou também que não se pode deixar que “empresas privadas – que, aliás, nunca deveriam ter sido privatizadas”, como a EDP, a REN ou a PT, continuem “a ter cabos por todo o território como queiram e nem sequer limpem as faixas onde estão localizados”.

“É preciso cobrar a quem deve, é preciso cobrar a segurança do país e é preciso ter um Orçamento do Estado que dê ao Estado a capacidade de fazer esse trabalho” e garantindo que as autarquias têm “capacidade de intervir no território”.

“Continuar a defender que os terrenos abandonados são um mal que temos que aceitar porque o país é pobre e está frágil significa querermos o país mais pobre e cada vez mais frágil”, criticou Catarina Martins, defendendo que é essencial “a capacidade pública de intervir nos terrenos abandonados para ter uma proposta económica para a floresta, que seja ambientalmente responsável”.

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Comentários

Em relação ao artigo quero simplesmente chamar à atenção para a recolha da madeira queimada e como esse processo se vai desenrolar. Penso que o governo deve acompanhar essa fase e inteirar-se o mais possível sobre os meandros desse negócio. Tenho conhecimento que junto à fronteira de Vilar Formoso há uma empresa espanhola produtora de pellets que se alimenta à grande e à "francesa" dessa madeira a preços irrisórios.
Seria bom que as industrias portuguesas do ramo tivessem capacidade para absorver e transformar essa matéria prima!
Saudações amigas

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