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Bloco pede a Rui Tavares “mais rigor na história”

Numa nota ao jornal Público, o Bloco assinala que não aceita que as suas posições “para as quais Miguel Portas contribuiu (neste caso, de forma decisiva) sejam publicamente falseadas”. “Pedimos apenas um pouco mais de rigor. E, já agora, de pudor”, lê-se na missiva.
Banco Central Europeu (BCE).

O Bloco responde à insistência de Rui Tavares na ideia de que foi "independente numa candidatura europeia do Bloco que propunha, por exemplo, redigir uma Constituição para a UE no Parlamento Europeu e criar um Senado Europeu”.

“Para não assumir a mentira, Rui Tavares embarca num expediente mais grave: convoca ideias de um artigo escrito por Miguel Portas em 2007, sem que o próprio possa hoje defender-se ou situá-las”, destaca a direção bloquista, que afirma não aceitar “que as posições do Bloco para as quais Miguel Portas contribuiu (neste caso, de forma decisiva) sejam publicamente falseadas”.

O Bloco pede a Rui Tavares, “um pouco mais de rigor. E, já agora, de pudor”.

O Esquerda.net transcreve, na íntegra, a nota do secretariado nacional do Bloco de Esquerda enviada ao jornal Público:

"1. Rui Tavares respondeu ao desmentido do Bloco de Esquerda confirmando o seu conteúdo. Rui Tavares demonstra que, ao contrário do que escreveu, não foi "independente numa candidatura europeia do Bloco que propunha, por exemplo, redigir uma Constituição para a UE no Parlamento Europeu e criar um Senado Europeu”. Essa afirmação é falsa. A proposta de uma Constituição Europeia e de um Senado não constavam do programa do Bloco sob o qual Rui Tavares foi candidato. Rui Tavares cita o Compromisso Eleitoral do Bloco quanto à proposta de um novo tratado europeu. É verdade, mas não é, obviamente, a mesma coisa. Assunto encerrado.

2. Para não assumir a mentira, Rui Tavares embarca num expediente mais grave: convoca ideias de um artigo escrito por Miguel Portas em 2007, sem que o próprio possa hoje defender-se ou situá-las. Citando o Miguel Portas de 2007, ignora a evolução do pensamento do próprio, patente em textos bem mais recentes. E ignora também o facto de, entre 2007 e 2009, ter começado uma crise financeira que teve da União Europeia uma resposta tão trágica como reveladora. Por essa e outras razões, o Compromisso Eleitoral de 2009, redigido pelo próprio Miguel Portas (como Rui Tavares sabe) não continha as propostas que Rui Tavares hoje lhe atribui.

3. Já em Setembro de 2011, depois da viragem austeritária europeia e da assinatura do Memorando da Troika, Miguel Portas escreveu um outro artigo, que terá escapado a Rui Tavares. Citamos, sem comentários ou sublinhados, a conclusão desse texto:

Hoje, a hipótese federal é um salto no escuro com o abismo pela frente. A cadeia de asneiras em que a União mergulhou desde que tentou aprovar uma Constituição sem Constituinte eleita, dificulta a exploração de novas vias democráticas e racionais. À luz do divórcio entre povo e poder a hipótese federal surge como suspeita por defeito e feitio. É por isso que salvar o projecto europeu dos populistas antieuropeus não dispensa a crítica de uma aventura federal com mercados, mas sem cidadãos.

4. O Bloco de Esquerda não reclama a propriedade das ideias do Miguel Portas e não entrará em debates abusivos sobre o que ele hoje pensaria ou em apropriações selecionadas sobre o que outrora escreveu. Sabemos que o seu pensamento evoluiu, sendo sempre, nesta como noutras matérias, um contributo destacado para a política do Bloco de Esquerda e para a sua evolução. Também por isso, não aceitamos que as posições do Bloco para as quais Miguel Portas contribuiu (neste caso, de forma decisiva) sejam publicamente falseadas. Pedimos apenas um pouco mais de rigor. E, já agora, de pudor.

O Secretariado Nacional do Bloco de Esquerda"

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