Bloco exige inspeção global ao funcionamento do Hospital de Braga

30 de maio 2013 - 15:57

"É urgente e absolutamente necessário” realizar uma inspeção exaustiva ao funcionamento do Hospital de Braga, defendeu, esta quinta feira, a deputada do Bloco Helena Pinto. Greve dos médicos anestesistas atinge os 95%. Trabalhadores protestam contra o "excesso de recurso a tarefeiros" e "falhas" na gestão da unidade hospitalar, que podem "pôr em causa" a segurança dos doente.

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Hospital de Braga - Foto de Hugo Delgado/Lusa

"É urgente e absolutamente necessário, em nome do serviço público, do Serviço Nacional de Saúde, dos direitos dos utentes e profissionais do hospital, a realização de uma inspeção global” ao funcionamento" do Hospital de Braga, gerido pelo Grupo Mello Saúde numa parceria público privada com o Estado, afirmou a dirigente bloquista em conferência de imprensa na Assembleia da República.

Segundo Helena Pinto, "esta situação não pode, de modo nenhum, prolongar-se por mais tempo e exige-se que o Governo tome as medidas necessárias".

"O que é público deve ser gerido pelo Estado e pagar pela gestão privada de um serviço que é publico, para além de não fazer sentido nenhum, tem-se revelado prejudicial para as pessoas e para os profissionais do hospital", salientou, defendendo que a morte, há dois dias, de uma mulher de 50 ano depois de se dirigir àquela unidade hospitalar para tratar uma "simples incontinência urinária” merece a “abertura de inquérito".

Durante a conferência de imprensa, a deputada relembrou as inúmeras situações que têm vindo a ser denunciadas pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, entre as quais a situação de greve dos médicos anestesistas, o rácio de dois enfermeiros por cada 30 doentes durante os fins de semana ou a transferência de utentes para hospitais do Porto.

Intervenção da IGAS é "tardia" e "demasiado limitada"

A reivindicação do Bloco surgiu na sequência do anúncio avançado pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte de que vai solicitar a intervenção da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) para indagar as condições de funcionamento do serviço de anestesia no Hospital de Braga.

Esta intervenção "peca por ser tardia”, segundo defende o Bloco, que referiu ainda que a mesma é “também demasiado limitada".

"Não pode restringir-se à situação agora vivida pela equipa de anestesia, é necessário inspecionar as condições em que o hospital no seu todo está a prestar cuidados de saúde”, reclamam os bloquistas, que consideram ser “no mínimo inusitado” o facto de a ARS do Norte referir que as informações facultadas pelo Hospital de Braga não são “cabalmente esclarecedoras”.

“A ARS do Norte nomeou um representante do Estado na parceria público-privada cuja função é precisamente fiscalizar o cumprimento do contrato”, lembram.

As afirmações proferidas pela ARS “indiciam que ou há informação sonegada por parte do Conselho de Administração do Hospital de Braga ou que a equipa de fiscalização não cumpre o seu papel”, salienta o Bloco.

“Por tudo isto, a IGAS tem que ser chamada a efetuar uma profunda inspeção ao Hospital de Braga que permita esclarecer com a necessária acuidade as diversas irregularidades que têm vindo a acontecer neste hospital”, remata.

Greve de médicos anestesistas com adesão de 94,7%

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) agendou para esta quinta feira e ainda para sexta feira uma greve em protesto contra a degradação das condições de trabalho do Hospital de Braga. Esta estrutura sindical denuncia, entre outros, a carência de material, o excesso de médicos tarefeiros e a “utilização das salas para cirurgias programadas que deviam estar disponíveis apenas para intervenções de urgência” e esclarece que, “acima de tudo”, o que está em causa é “preservar os direitos dos doentes”.

De um total de 37 médicos anestesistas 35 aderiram ao protesto, o que levou ao encerramento de 10 das 12 salas do Bloco operatório.

"De igual modo, várias especialidades cirúrgicas e médicas que dependem do apoio dos médicos anestesistas para a execução de exames complementares de diagnóstico estão a ser afetadas", acrescenta o SIM, em comunicado publicado na sua página na Internet.

O sindicato tem esperança que este protesto "faça com que o Conselho de Administração do Hospital, a partir de segunda-feira, inicie um processo negocial sério que permita resolver os problemas identificados no serviço de anestesia".