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BES: buraco cada vez maior

Dívida do BES Angola ao BES será de 3 mil milhões de euros e esses créditos não deverão ser pagos nunca, até por se desconhecerem os beneficiários. Ações do BES em queda pelo 7º dia consecutivo. Empréstimo da PT vence esta terça e poderá não ser pago. Vítor Bento assumiu a presidência do banco à pressa, sem conseguir inverter o declínio.
Família Espírito Santo terá participação apenas simbólica no capital? Foto de Miguel A. Lopes

Num artigo dedicado à crise do Banco Espírito Santo, o Financial Times de segunda-feira deu voz ao temor dos investidores de “que a completa dimensão da exposição ao Grupo Espírito Santo, acossado por dificuldades financeiras, pode não ter sido ainda totalmente revelada”. Segundo o jornal, “alguns estimam que os créditos e outras exposições poderiam deixar o BES com um défice de capital de 3 mil milhões de dólares”.

De facto, os buracos do BES continuam a aparecer, apenas um dia depois de Vítor Bento ter assumido à pressa a presidência do Banco, instado pelo Banco de Portugal, numa tentativa de interromper a queda contínua das ações. Agora é o Jornal de Negócios que revela que o BES emprestou ao BES Angola cerca de 3 mil milhões euros. A maior parte deste crédito provavelmente nunca será pago, “ou por se desconhecerem os beneficiários do financiamento, ou por não haver quaisquer garantias de pagamento”. Parte deste crédito está coberta por uma garantia do governo de Angola, que deverá assumir o controlo do BESA. Mas é impossível saber agora quais as perdas que o BES terá de assumir.

Declínio que não se interrompe

Esta terça-feira, as ações do BES continuaram a cair pelo 7º dia consecutivo, valendo apenas cerca de 46% do que no início da queda. A tomada de posse de Vítor Bento na direção do Banco não teve até agora qualquer efeito, até porque as más notícias acumulam-se.

As dificuldades do Grupo Espírito Santo obrigaram a família que sempre controlou o banco a vender 4,99% da sua participação, fazendo-a cair de 25% para 20,1%. A venda foi forçada pelo banco de investimento japonês Nomura, que recebera essas ações como crédito para emprestar à família o dinheiro usado no aumento de capital feito no mês passado.

A família não só perdeu o controlo do BES, como pode passar a ter uma participação apenas simbólica no seu capital.

Acontece que a participação de 20,1% também está penhorada “e tem de ser retida para fazer face à emissão de obrigações permutáveis realizadas pelo ESFG em novembro de 2013”, segundo um comunicado emitido pela holding.

Isto é, a família não só perdeu o controlo do BES, como pode passar a ter uma participação apenas simbólica no seu capital.

Portugal Telecom afetada

Finalmente, o empréstimo feito pela PT à Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo (GES), de 897 milhões de euros em papel comercial vence esta terça-feira, mas não se sabe ainda se vai ou não ser pago e em que termos.

Na segunda-feira, o ministro das Comunicações do Brasil garantiu, em declarações à Reuters, que se a situação não for regularizada no prazo limite, os termos da fusão com a empresa brasileira Oi vão ser revistos.

"Há uma operação que vence amanhã. Se o dinheiro voltar, tudo bem. Se não voltar, evidentemente que o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) e os acionistas da Oi vão querer discutir a operação de fusão e a composição acionista”, assegurou Paulo Bernardo.

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