Atleta olímpica somali terá morrido a tentar chegar à Europa

Aos 18 anos, Samia Yusuk Omar emocionou o mundo nos Jogos Olímpicos de 2008, ao completar a corrida dos 200 metros muito atrás das restantes atletas em Pequim. Um membro do Comité Olímpico somali diz que ela terá tentado em abril a travessia do Mediterrâneo com outros emigrantes em busca do sonho europeu, mas o barco afundou.
Samia Yusuk Omar nos Jogos Olímpicos de Pequim.

A notícia foi divulgada esta semana com cautelas na imprensa italiana, a partir das palavras de um antigo atleta, Abdi Bile, hoje membro do Comité Olímpico na capital somali. Abdi Bile afirmou que Samia Yusuk Omar terá embarcado na Líbia juntamente com outros emigrantes com destino a Itália, em abril deste ano, mas o barco ter-se-á afundado, num desfecho comum a centenas de embarcações que transportam emigrantes no Mediterrâneo.

Samia tornou-se num símbolo do atletismo mundial nos Jogos Olímpicos de Pequim, onde chegou apesar de todas as dificuldades que as mulheres enfrentam para praticar desporto na Somália. Para além das inexistentes condições de treino, do estado de guerra permanente e da miséria que assola também a capital Mogadíscio, o desporto feminino é uma atividade condenada pelas milícias religiosas que controlam boa parte do território.

Aos dezassete anos de idade, o feito de Samia em Pequim foi ter chegado em último lugar na corrida dos 200 metros, a dez segundos de distância das restantes atletas e recebendo aplausos de todo o estádio. Meses antes tinha participado no Campeonato Africano, terminando também na última posição numa das eliminatórias dos 100 metros.

Desde 1990, calcula-se que mais de 20 mil emigrantes tenham perdido a vida na travessia do Mediterrâneo rumo à Europa. São números citados pelo eurodeputado Willy Meyer, do GUE/NGL, ao dirigir-se ao Conselho Europeu no ano passado, pedindo medidas para "travar a morte evitável de milhares de cidadãos todos os anos ao largo das suas fronteiras" e uma investigação "sobre a violação do direito marítimo que obriga todos os navios, militares ou civis, que se encontrem nas proximidades a prestar socorro".

Um inquérito do Conselho da Europa concluiu que durante os bombardeamentos da NATO à Líbia, ficou provado que os navios de guerra deixaram deliberadamente à deriva uma embarcação com emigrantes que lhes pediu socorro, provocando a morte a 63 pessoas. Já este ano, um estudo da Universidade de Londres provou que os meios que a NATO dispunha naquela altura no Mediterrâneo eram mais que suficientes para fazerem uma operação rápida de salvamento, o que não aconteceu.

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