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Apoio a filhos desempregados aumenta endividamento

Mais de metade dos casos que chegam ao Gabinete de Apoio aos Sobre-endividados (GAS) já não estão em condições de ser ajudados, o que traduz uma maior degradação da situação financeira das famílias. Dois em cada dez dos processos de sobre-endividamento foram provocados por alterações do agregado familiar e por penhoras decretadas por tribunais face a créditos em incumprimento.
Foto de Paulete Matos.

Entre janeiro e março deste ano, o Gabinete de Apoio aos Sobre-endividados (GAS) da Deco recebeu 7354 pedidos de apoio de famílias endividadas, que deram origem a apenas 663 processos.

De acordo com esta associação, 41,4% dos pedidos rececionados vêm de cidadãos que trabalham no sector público, 25,2% de reformados, 14,7% de trabalhadores do setor público, 13,1% de desempregados e 5,6% de trabalhadores por conta própria, o que significa que mais do que o desemprego, são os baixos salários que levam muitas pessoas a pedir ajuda à DECO.

São os que têm rendimentos entre os 505 e os 1010 euros (36,6%) e os que ganham até 505 euros (32,5%) os que mais pedem auxílio.

“Continuamos a verificar uma degradação da situação financeira das famílias, que leva a que muitas das famílias em situação de sobreendividamento que nos pedem ajuda não tenham já qualquer capacidade de reestruturar as suas dívidas”, esclareceu Natália Nunes, do GAS, em declarações à Rádio Renascença.

“Estas pessoas têm fracos rendimentos decorrentes de situações de longo desemprego” ou então já voltaram a trabalhar “mas estão a receber o salário mínimo nacional, valor muito inferior ao que recebiam antes de entrarem em situação de dificuldade”, avançou.

Segundo Natália Nunes, “muitas vezes, os fracos rendimentos inviabilizam qualquer possibilidade de ajudar as famílias a reequilibrar financeiramente a sua situação”.

Os dados divulgados pelo GAS apontam que dois em cada dez dos processos de sobre-endividamento foram provocados por alterações do agregado familiar e por penhoras decretadas por tribunais face a créditos em incumprimento.

São cada vez mais as pessoas, sobretudo as mais idosas, a ver a sua situação financeira degradar-se por terem de dar apoio aos seus filhos, agora desempregados ou em situação de precariedade laboral.

De facto, no primeiro trimestre deste ano, as alterações do agregado familiar justificavam 10% dos processos, contra os 8% registados no mesmo período de 2014. Já as penhoras subiram de 9% para 12%.

Já o desemprego e a deterioração das condições de trabalho, ainda que continuem a ser os que motivam mais processos, baixaram para 30%, contra os 35% e os 34% registados há dois anos.

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