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Amnistia Internacional exige libertação imediata da ativista palestiniana Ahed Tamimi

A vice-diretora da AI para o Médio Oriente e Norte de África sublinha que a detenção e julgamento militar de Tamimi “demonstram o tratamento discriminatório que as autoridades israelitas dão às crianças palestinianas que ousam enfrentar a continuada, e frequentemente brutal, repressão exercida pelas forças de ocupação”.
Foto de Haim Schwarczenberg, https://schwarczenberg.com

De acordo com Magdalena Mughrabi, “nada do que Ahed Tamimi fez pode justificar a continuada detenção de uma rapariga de 16 anos”.

“As autoridades israelitas têm de a libertar sem demoras. Ao mostrarem a agressão feita por uma jovem adolescente desarmada a dois soldados armados e envergando equipamentos de proteção, as imagens deste incidente expõem que ela não constituía ameaça real e que a punição é flagrantemente desproporcionada”, defendeu esta segunda-feira a vice-diretora da Amnistia Internacional para o Médio Oriente e Norte de África, citada no site da AI Portugal.

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Magdalena Mughrabi sublinhou que “a detenção e julgamento militar de Ahed Tamimi demonstram o tratamento discriminatório que as autoridades israelitas dão às crianças palestinianas que ousam enfrentar a continuada, e frequentemente brutal, repressão exercida pelas forças de ocupação”.

A perita da organização de direitos humanos acusou Israel de estar “clara e descaradamente a desrespeitar as suas obrigações ao abrigo da lei internacional de proteger as crianças de penas criminais manifestamente pesadas”.

Mughrabi sinalizou que “seria uma perversão injusta da justiça se o ato de desafio de Ahed Tamimi face a implacável repressão lhe valesse uma sentença de longa pena de prisão num tribunal militar que não garante os essenciais padrões de julgamento justo”.

Referindo que estão cerca de 350 crianças palestinianas em prisões e centros de detenção israelitas, a AI recorda que “o Exército de Israel leva a tribunal militar centenas de crianças palestinianas todos os anos, amiúde após as ter detido em rusgas noturnas e sujeitando-as sistematicamente a maus-tratos, incluindo vendando-lhes os olhos, fazendo ameaças e interrogatórios duros sem a presença de advogados nem familiares dos menores, além de recorrer ao encarceramento em regime de solitária e, em alguns casos, usando violência física”.

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Segundo a organização não-governamental Defense for Children Palestine (DCI), aproximadamente 500 a 700 crianças palestinianas da Cisjordânia ocupada são julgadas todos os anos em tribunais militares juvenis israelitas sob ordem do Exército de Israel.

“Estas ordens militares são aplicadas no sistema de tribunais marciais e muitas criminalizam atividades pacíficas como a expressão política pacífica ou a organização e participação em protestos sem prévia autorização de um comandante militar israelita”, escreve a AI, lembrando que “os juízes e procuradores destes tribunais fazem parte das forças militares de Israel e a jurisdição deste sistema de tribunais militares de Israel não é nunca aplicada a colonos israelitas que vivam na Cisjordânia, os quais ficam sob a tutela da lei civil israelita”.

“Incidentes de violência cometida por colonos israelitas na Cisjordânia ficam geralmente impunes, enquanto os palestinianos são frequentemente visados e detidos”, acrescenta a organização de direitos humanos.

 

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