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Ambientalistas apelam a governo para apoiar decisões ambiciosas na área da energia

Segundo a ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, “até agora, os governos da UE ignoraram o inevitável: que é preciso acelerar a transição energética e aumentar a sua meta de energia renovável em linha com o Acordo de Paris”.
Foto de davipt, Flickr.

Na véspera da reunião dos Ministros da Energia da União Europeia durante a qual vão ser discutidas quatro matérias fundamentais no âmbito do pacote legislativo “Energia Limpa” - as energias renováveis, a governação, o mercado interno de eletricidade e a bioenergia – a ZERO sublinha que “as propostas em discussão na reunião apresentam um enfoque desatualizado”.

De acordo com a Organização não governamental de ambiente (ONGA), existe “uma grande falta de ambição ao nível das metas para energias renováveis” e “regras fracas para ajudar os países a fazer a transição energética”.

“Acresce ainda que se admite uma enorme subsidiação do carvão no mercado da energia na UE e uma promoção na utilização insustentável de biocombustíveis a partir de culturas alimentares”, acrescenta a Zero em comunicado.

A ONGA destaca que “até agora, os governos da UE ignoraram o inevitável: que é preciso acelerar a transição energética e aumentar a sua meta de energia renovável em linha com o Acordo de Paris”.

“Os Ministros estão perante uma escolha: manter as atuais propostas que permitem que a era do carvão, petróleo e gás poluam indiscriminadamente a nossa atmosfera durante mais uma década ou avançarem para uma economia mais limpa e segura”, lê-se na missiva.

No que respeita à energia renovável, a ZERO escreve que “a atual meta de 27% de energia renovável na proposta dos governos da UE coloca um travão na transição energética da Europa”.

“A meta deveria aumentar para pelo menos 45%, para ser consistente com o Acordo de Paris”, defende.

Em relação à governança, os ambientalistas lembram que a proposta “não permite impulsionar os investimentos em energias renováveis e eficiência energética, colocando em risco as metas da Europa para 2030 para esses setores”.

No mercado interno da energia, a ZERO considera que “a proposta sobre o desenho do mercado abre a porta à subsidiação do carvão com as novas regras do mercado da energia na Europa”.

“No que se refere aos biocombustíveis, num cenário em que se prevê uma meta para o setor dos transportes de 14%, a proposta prevê manter a meta de contribuição dos biocombustíveis produzidos a partir de culturas nos 7%, excluindo da lista culturas com baixo impacto na mudança indireta do uso do solo”, avança a ONGA.

São disso exemplo “as culturas de rotação como a colza, contrariando a proposta inicial da Comissão que visava uma redução gradual para 3,8% até 2030, assim como a votação favorável do Comité de Ambiente da Comissão relativa ao fim da utilização de culturas alimentares para produção de biodiesel em 2030, e de óleo de palma em 2021”.

Segundo a ZERO, “Portugal tem tido neste capítulo uma posição muito negativa, ao defender o uso de biocombustíveis a partir de culturas alimentares, para defender a indústria portuguesa cuja capacidade de produção está claramente acima das necessidades do país e que deveria ter ponderado devidamente a sua sustentabilidade face às maiores exigências ambientais e sociais”.

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