Está aqui

Alzheimer: Câmara fotográfica pode atrasar manifestações clínicas da doença

Uma equipa de especialistas concluiu que uma SenseCam, pode conseguir “atrasar a manifestação clínica” da Alzheimer e recomenda o uso deste método como “complemento ao tratamento farmacológico”.
Foto Ann Gordon/Flickr
Foto Ann Gordon/Flickr

Esta descoberta surgiu na sequência de um estudo realizado por investigadores das universidades de Coimbra e de Leeds, no Reino Unido, e vem demonstrar que uma câmara fotográfica automática portátil que capta imagens do dia a dia (SenseCam) é um “complemento ao tratamento farmacológico” desta doença considerada como “a forma mais comum de demência”.

Num primeiro momento do projeto, foi efetuado um estudo-piloto com um grupo de 29 jovens e idosos saudáveis - 15 jovens e 14 idosos) - para “explorar os efeitos da SenseCam em testes de cognição global e analisar em que medida este instrumento poderia ser útil para os pacientes” com Alzheimer, refere uma nota da Universidade de Coimbra citada pela agência Lusa.

Após a  identificação das potencialidade do método no funcionamento cognitivo global, os investigadores debruçaram-se sobre “o estudo principal, com 51 idosos, na sua maioria mulheres, diagnosticados com doença de Alzheimer em fase inicial”, que estavam a ser acompanhados nos serviços de Psiquiatria - consulta de gerontopsiquiatria e de Neurologia - do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e também na Associação Alzheimer Portugal.

Estes doentes, com idades compreendidas entre os 60 e 80 anos, foram divididos em três grupos e sujeitos a um conjunto diversificado de estratégias de estimulação durante seis semanas, sendo que um dos grupos foi intervencionado com o uso da SenseCam que capta imagens quotidianas, outro com um treino convencional ativo através de exercícios como memorização de listas de compras e de associação caras/nomes, e o terceiro grupo anotou o seu dia a dia num diário.

Câmara mais eficaz no desempenho cognitivo

A análise dos resultados  levou a equipa de investigação a concluir que os pacientes que estiveram sujeitos ao uso da câmara fotográfica “foi mais eficaz no desempenho cognitivo comparativamente com o programa de treino cognitivo ativo e com o diário escrito”, disse Ana Rita Silva, investigadora principal do estudo.

Aquela especialista disse ainda que a investigação demonstrou também que este método de ajuda passiva que “não implica esforço ou motivação por parte do paciente”, bastando apenas colocar a câmara ao pescoço “aumenta o bem-estar geral do paciente e diminui a sintomatologia depressiva que afeta cerca de 40% de doentes com Alzheimer na fase inicial”.

Desta forma e após seis semanas de intervenção, o grupo que utilizou a SenseCam foi o que apresentou maior redução da sintomatologia depressiva”, referiu Ana Rita Silva tendo ainda adiantado que as conclusões do estudo, “reforçam a importância do desenvolvimento de intervenções não farmacológicas para pacientes” com Alzheimer em fase inicial.

O projeto foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e é liderado por investigadores da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (FPCEUC) e do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC) da Universidade de Coimbra.

Os resultados da investigação vão ser publicados na revista internacional Current Alzheimer Research.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Sociedade

Comentários

Adicionar novo comentário