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Almaraz: direção da central admite que incumpre normas de segurança

Direção da central nuclear de Almaraz admite que não tem cumprido as especificações Técnicas de Segurança (ETS) do regulador. Esta quinta-feira, às 18 horas, terá lugar uma concentração junto ao Consulado de Espanha, em Lisboa.
A ata da última inspeção semestral à central de Almaraz detetou anomalias graves. Foto Flickr
A ata da última inspeção semestral à central de Almaraz detetou anomalias graves. Foto Flickr

O jornal espanhol el diario.es revela que a direção da central nuclear de Almaraz, a segunda mais antiga de Espanha logo à seguir de Garoña - que está fechada desde dezembro 2012 - reconheceu perante os inspetores do Conselho de Segurança Nuclear (CSN) que “não tem cumprido de forma consciente, voluntária e reiterada as Especificações Técnicas de Segurança (ETS) do regulador nuclear no que diz respeito à proteção contra incêndios (PCI)”.

Esta revelação consta da ata de um relatório dos técnicos do CSN após uma inspeção realizada no passado mês de Maio, e que levou a direção da central nuclear a pedir a sua destruição, mas os inspetores negaram-se a fazê-lo.

“Os inspetores pediram informações relacionados com os motivos pelos quais a central nuclear de Almaraz considera que os critérios do diretor [de Almaraz] podem voluntariamente deixar de cumprir a Instrução IS-30 do CSN, bem como outras normas expressas na documentação que regulamenta o funcionamento da central e que exige pelo menos a presença permanente de cinco membros da Proteção Contra Incêndios (PCI) na central”, escreve o jornal.

O el diário.es contactou nesta segunda-feira os responsáveis pela central nuclear que responderam esta terça-feira por escrito afirmando que “nunca admitiram nenhum incumprimento voluntário das normas de segurança do regulador”.

Falsificação de documentos

Refira-se que a saída de três efetivos da Brigada de Extinção de Incêndios aconteceu perante uma situação de enorme gravidade em função de um incêndio ocorrido a pouca distância da central de Almaraz, em agosto 2014.

No entanto, esta situação não originou a abertura de um processo sancionatório e é o reflexo, segundo fontes internas do CSN, da gestão levada a cabo pelo presidente Fernando Marti, que no final desse ano delineou um plano de gestão de medidas contra incêndios que chegou a incluir a “falsificação de documentos”.

A ata da última inspeção semestral à central de Almaraz refere, entre outras anomalias, a existência de peças com deformações e folgas, bem com uma avaria num motor; constatou-se igualmente que no interior de Alamaraz é permitido fumar, o que é proibido neste tipo de instalações.

O jornal espanhol refere ainda outros problemas, nomeadamente a existência de material combustível em cima de cabos de segurança, poças de água no cubículo de uma bomba de extração de calor fruto de uma infiltração no teto das instalações.

Bloco pede avaliação de impactos ambientais transfronteiriços

Refira-se que em novembro passado, na sequência do parecer favorável do Conselho de Segurança Nuclear (CSN) do Estado espanhol ao pedido de construção de um armazém temporário individualizado na central nuclear de Almaraz, o Bloco solicitou início dos procedimentos para determinar avaliação dos impactos ambientais transfronteiriços.

Na altura, o deputado do Bloco, Jorge Costa afirmou ao “Expresso” que “o governo português está a ser ignorado olimpicamente e está na hora de passar à ação e recorrer às instâncias internacionais”.

Jorge Costa acrescentou ainda que “os contactos bilaterais parecem não estar a dar resultado”, com a ausência de resposta de Madrid aos pedidos de esclarecimento do governo português.

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