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Alemanha: Setor metalúrgico em protesto por horário de 28 horas semanais

A maior central sindical alemã, a IG Metall, reivindica a redução do horário laboral para 28h por semana, por um período máximo de dois anos, e aumentos salariais de 6% em 2018. Até ao momento, já foram registadas dezenas de greves parciais, que se irão intensificar nos próximos dias.
Foto de Thomas Range, publicada na página de facebook do IG Metall.

A IG Metall quer que os trabalhadores que tenham a cargo crianças pequenas ou pais doentes possam optar por reduzir o seu horário laboral para 28 horas semanais durante dois anos, com uma compensação parcial do défice salarial por parte do empregador de 200 euros.

Findo esse período, a proposta da central sindical prevê que os trabalhadores tenham o direito de regressar ao horário a tempo inteiro.

A IG Metall, que representa 3.9 milhões de trabalhadores, reivindica ainda que quem trabalhe por turnos, considerados prejudiciais à saúde, possa fazer uma pausa nesse regime de trabalho, sendo compensado em 750 euros por ano.

"Queremos que os patrões reconheçam que os papéis de género tradicionais nas famílias modernas estão a mudar e queremos que os trabalhadores tenham a oportunidade de fazerem trabalho importante para a sociedade", assinalou o porta-voz da central sindical.

Paralelamente, a IG Metall exige ainda um aumento salarial de 6% em 2018.

Até ao momento, os empregadores apenas aceitaram um aumento salarial de 2%, ao que acresceria um pagamento de 200 euros no primeiro trimestre. Por outro lado, a federação patronal Gesamtmetall rejeitou categoricamente as reivindicações por uma redução da semana de trabalho, considerando-a “inadmissível” e “impraticável”. Ainda assim, os empregadores admitem permitir que alguns trabalhadores tenham um horário de trabalho reduzido se, por outro lado, a central sindical aceitar horários de 40 horas semanais.

Vários protestos agendados para esta quarta-feira

Até ao momento, já foram registadas dezenas de greves parciais em todo o país, que afetaram empresas como a Volkswagen, Porsche, Otis e Bombardier.

Somente no estado da Renânia do Norte-Vestefália, o coração industrial da Alemanha, mais de 20 mil trabalhadores, incluindo do grupo industrial Thyssenkrupp e da Benteler, indústria de componentes para automóveis, aderem aos protestos esta quarta-feira.

No sul da Baviera, em empresas como a Siemens, também terão lugar iniciativas enquadradas nesta campanha de luta.

As conversas entre sindicatos e associações patronais estão agendadas para a próxima quinta-feira no estado de Baden-Wuerttemberg, onde estão sedeadas a Porsche, Volkswagen, Daimler e Bosch.

Na Baviera, sede de empresas como a BMW e a MAN, as negociações serão retomadas a dia 15 de janeiro, e no norte, na Renânia do Norte-Vestefália, a 18 de janeiro.

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