Alemanha: aumenta o trabalho precário e persistem os baixos salários

Estudo mostra que 23,1% da população trabalhadora do país é pobre, e que um em cada 4 trabalhadores recebe baixos salários, muito abaixo de 9,15 euros/hora. Por Marco Antonio Moreno
Trabalho em Nuremberga. Foto de pasa47

Um estudo realizado pela Universidade de Duisburg-Essen e citado pela Deutsche-Welle indica que os trabalhadores pobres da Alemanha aumentaram em 2,3 milhões de pessoas, chegando aos 8 milhões, em 2010, número equivalente a 23,1% da população trabalhadora do país. A informação também foi citada em Süddeutsche Zeitung e assinala que um em cada 4 trabalhadores recebe baixos salários, quer dizer, muito abaixo de 9,15 euros/hora.

Esta percentagem era ligeiramente maior antes do surto da crise (24,2%, em 2007), o que permitiu às autoridades alemãs relativizar a sua importância. Se bem que os sindicatos lutem pela introdução de um salário mínimo de 8,50 euros por hora, o estudo dá conta que 19,9% dos empregados se encontram actualmente abaixo desse limiar e 11,4% ganha menos de 6 euros/hora, quer dizer, mileurismo puro. Os menores de 25 anos de idade são os mais afetados pelos baixos salários. Estes dados estão a assombrar o mundo dado que o aumento da pobreza na primeira economia europeia não era esperado por ninguém.

O estudo da Universidad de Duisburg-Essen não diz em que sectores trabalham estes trabalhadores que recebem salários baixos, mas muitos deles concentram-se no comércio e nos serviços pessoais. O gráfico seguinte (em anexo) retirei-o da OCDE e também mostra a queda dos salários.

Variação Salários Alemanha 2000-2010

A informação assinala que, entre 1995 e 2010, o número de trabalhadores pobres cresceu em 2,3 milhões de pessoas. O aumento foi maior no oeste da Alemanha, onde o volume de trabalhadores de baixos salários aumentou 68%; na Alemanha do este os trabalhadores pobres aumentaram 3%, produzindo-se um nivelamento por baixo.

O estudo mostra que somente 18,4% dos trabalhadores pobres não têm qualificação. Em contraste, 71% tem uma qualificação profissional e 10% um diploma universitário. Além disso, 63,7% destes trabalhadores pobres são mulheres; 47,6% estão empregados a tempo completo, 24% trabalham a tempo parcial e 28,4% só têm um “mini-trabalho”, quer dizer, um trabalho a tempo parcial que não está sujeito às cotizações sociais que complementam o bem-estar, o que indica que são trabalhadores numa situação mais precária.

Estes “mini-jobs” foram desenhados para promover um retorno ao trabalho completo, mas passaram a ser a forma com que muitos empregadores acedem a trabalhadores mais baratos e sem ligações a um contrato. Daí que Angela Merkel tenha apresentado a ideia de um salário mínimo mais elevado e mais próximo dos 9 euros/hora. Os trabalhadores do resto da Europa também esperam um salário mínimo mais elevado, na Alemanha, para assim poderem melhorar a competitividade dos seus países. Mas a ideia chega num mau momento, dado que já se iniciou a contração, que fará descer as exportações alemãs, o que levará à redução do emprego. E com a redução do emprego tornar-se-á impossível pensar em aumentar os salários.

Marco Antonio Moreno é professor de Economia.

Tradução: António José André para o Esquerda.net

15 de março de 2012

http://www.elblogsalmon.com/mundo-laboral/en-alemania-aumenta-el-trabajo...

Comentários

baixo salario 9.15E á hora o que dizer dos portugueses que ganham 2.80 hora por 40 horas semanis assim queor ir pra alemanha depois vem essa nazi dizer que portugal tem que cortar mais so se for nos cornos dela

ger: (9€x8h)x30d = 2160euros

pt: (2€x8h)x30d = 500euros

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