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Adubos de Portugal apontada como origem do surto de legionella

O Ministério do Ambiente anunciou uma inspeção na fábrica da ADP Fertilizantes para averiguar a existência de crime ambiental. Podemos estar “perante um crime ambiental que é muito mais que uma mera contraordenação ou do mero incumprimento das melhores técnicas disponíveis”, diz Moreira da Silva.
Fábrica da ADP Fertilizantes está a ser apontada como a origem do surto de legionella que já matou cinco pessoas. Foto Fertiberia

“Foi hoje decidido de manhã desencadear uma ação inspetiva extraordinária relativamente à empresa Adubos de Portugal. Essa ação inspetiva vai ocorrer nas próximas horas, para averiguação de eventual crime ambiental por libertação de microrganismos no meio ambiente”, anunciou o ministro Jorge Moreira da Silva esta terça-feira em Leiria, citado pela agência Lusa.

O ministro do Ambiente diz que “o foco está controlado desde o momento em que se decidiu no terreno que as torres de refrigeração, mesmo sem análises comprovativas que apontassem para a presença de legionella”, fossem de imediato encerradas.

As torres de refrigeração das fábricas em Vila Franca de Xira estiveram sempre nos primeiros lugares da lista de locais suspeitos de terem originado o surto de legionella que já matou cinco pessoas e deixou mais 235 a receber tratamento hospitalar. De acordo com a Direção Geral de Saúde, todos os casos identificados nos últimos dias "têm ligação epidemiológica ao surto que decorre em Vila Franca de Xira.

Desde a semana passada foram efetuadas análises em fábricas, espaços públicos, sistemas de distribuição e habitações. O ministro do Ambiente diz que “o foco está controlado desde o momento em que se decidiu no terreno que as torres de refrigeração, mesmo sem análises comprovativas que apontassem para a presença de legionella”, fossem de imediato encerradas.

Moreira da Silva diz que tem “informação suficiente neste momento”, quer sobre as análises, “quer no que diz respeito à ausência de cuidados relacionados com manutenção”, para considerar que se deve de imediato avançar” com a inspeção extraordinária à Adubos de Portugal.

“A legislação ambiental é muito clara, [as empresas] têm obrigações precisas sobre aquilo que tem de ser feito, mas, por outro lado, nós estamos perante aquilo que não é uma mera verificação de legislação”, acrescentou o ministro, abrindo a hipótese de estarmos “perante um crime ambiental que é muito mais que uma mera contraordenação ou do mero incumprimento das melhores técnicas disponíveis”.

A Adubos de Portugal foi criada em 1997, com a privatização da Quimigal a repartir o capital da empresa em partes iguais entre a SAPEC e a CUF. Em 1999, o grupo de José de Mello adquire os 50% da SAPEC por 22,7 milhões de euros e dez anos depois vendeu a empresa por 97,5 milhões de euros aos espanhóis da Fertiberia, a empresa líder do setor de fertilizantes na União Europeia.

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