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Administração dos CTT quer despedir mil trabalhadores até 2020

A administração dos CTT anunciou, na véspera de dois dias de greve, que quer reduzir mais 800 postos de trabalho nos próximos três anos. Bloco de Esquerda defende o resgate público da empresa e a sua coordenadora intervirá sobre a questão no debate com o primeiro-ministro, nesta quarta-feira.
Bloco de Esquerda defende o resgate público dos CTT – Foto de Paulete Matos
Bloco de Esquerda defende o resgate público dos CTT – Foto de Paulete Matos

A administração dos CTT, na véspera de uma greve de dois dias, decidiu anunciar que quer reduzir mais 800 postos de trabalho em três anos.

Segundo a administração, atualmente está em curso a redução de 200 postos de trabalho na empresa, tendo já aceitado sair 140 trabalhadores.

A empresa tem cerca de 6.700 trabalhadores, sendo 6.200 efetivos e 500 pessoas com contrato a prazo. O plano anunciado prevê que os contratados a prazo também sejam despedidos.

Resgate público da própria empresa"

Em declarações à agência Lusa, o deputado José Soeiro do Bloco de Esquerda afirmou que “todo este plano visa continuar uma política que tem sido desastrosa para a empresa", lembrando que enquanto empresa pública, os CTT "tinham os mais elevados níveis de qualidade de prestação de serviço, nomeadamente o serviço postal, tinham uma cobertura territorial muito superior àquela que hoje têm", bem como um património maior.

"A privatização dos CTT foi uma tragédia do ponto de vista económico e político", salientou também José Soeiro, apontando que a “nova etapa de reestruturação, como foi agora apresentada, implica reduzir ainda mais os balcões e mais 800 pessoas, num momento em que, por um lado já não conseguem cumprir com os critérios de qualidade - nomeadamente do serviço postal - e que tem sido objeto de multas por parte da Anacom [Autoridade Nacional de Comunicações] devido a incumprimento". Além disso, "o número de trabalhadores que [a empresa] tem não está a conseguir assegurar o mínimo dos critérios previstos no contrato de concessão".

O deputado bloquista sublinhou também que o plano agora apresentado pela administração dos CTT "torna mais evidente a necessidade de resgate público, a necessidade de que a empresa volte à esfera pública".

José Soeiro disse ainda que o Bloco pretende que a administração da empresa esclareça como pretende reduzir os 800 trabalhadores, defendeu "que este processo seja travado" e reafirmou que "a mais consequente medida é o resgate público da própria empresa".

PS quer ouvir administração dos CTT

O grupo parlamentar anunciou nesta terça-feira que vai pedir a audiência urgente da administração dos CTT sobre a pretensão que anunciou de reduzir 800 postos de trabalho em três anos.

O deputado do PS Luís Testa disse à Lusa que o anúncio da administração dos CTT “é manifestamente contraditório com a necessidade de reforçar a estrutura dos CTT, para prestar o serviço público que está contratualizado com o Estado”, salientando que os CTT “prestam mal o serviço público”.

Greve dos trabalhadores dos CTT a 21 e 22 de dezembro

Nos dias 21 e 22 de dezembro, quinta e sexta-feira, os trabalhadores dos CTT estarão em greve contra a degradação do serviço, pela contratação de mais 300 trabalhadores e pela reversão da privatização.

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