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74% da população exposta a calor mortífero em 2100

O estudo publicado pela revista científica Nature Climate Change, alerta que "74% da população mundial estará exposta a ondas de calor mortíferas em 2100, se as emissões de gases com efeito de estufa continuarem a subir nas atuais taxas".
Central termoelétrica de Sines – Foto de Paulo Valdivieso/flickr
Central termoelétrica de Sines – Foto de Paulo Valdivieso/flickr

Mantendo inalterado o ritmo de emissões de gases com efeito estuda, três quartos da população mundial estará exposta a ondas de calor mortíferas em 2100, noticia a agência Lusa. As más notícias são que, mesmo com redução das emissões, quase metade das pessoas estará em perigo.

As conclusões são de um estudo publicado esta segunda-feira na revista Nature Climate Change, onde concluem que "74% da população mundial estará exposta a ondas de calor mortíferas em 2100, se as emissões de gases com efeito de estufa continuarem a subir nas atuais taxas".

"Mesmo se as emissões descerem drasticamente, é expetável que a percentagem de população humana afetada atinja 48%", afirmam, e relativamente às ondas de calor, “estamos a ficar sem opções para o futuro”, salienta Camilo Mora, investigador da Universidade do Havai que lidera a investigação.

A equipa liderada por Camilo Mora fez um levantamento de dados existentes e encontrou 1.900 casos de locais onde as elevadas temperaturas causaram mortes desde 1980 e, analisando as condições climáticas de 783 episódios letais, em 164 cidades de 36 países, identificou um limite a partir do qual as temperaturas e o grau de humidade se tornam mortíferas.

A frequência das ondas de calor representam o maior perigo, uma vez que as previsões do estudo apontam que a tendência “poderá ser muito pior se as emissões não forem consideravelmente reduzidas.

"Cerca de 30% da população humana de todo o mundo está exposta a estas condições mortíferas em cada ano", referem. Considerando que o corpo humano funciona apenas com temperaturas à volta dos 37 graus, "as ondas de calor colocam um risco considerável à vida humana pois o tempo quente, agravado pela alta humidade, pode aumentar a temperatura do corpo, levando a condições que ameaçam a vida".

A equipa liderada por Camilo Mora fez um levantamento de dados existentes e encontrou 1.900 casos de locais onde as elevadas temperaturas causaram mortes desde 1980 e, analisando as condições climáticas de 783 episódios letais, em 164 cidades de 36 países, identificou um limite a partir do qual as temperaturas e o grau de humidade se tornam mortíferas.

A área do planeta em que este limite é ultrapassado em 20 ou mais dias por ano tem vindo a crescer e "estima-se que aumente mesmo com cortes nas emissões de gases com efeito de estufa", segundo o estudo.

Entre os exemplos listados pelos especialistas, está a onda de calor de 2003, na Europa, que provocou a morte de cerca de 70 mil pessoas, ou a de Moscovo em 2010, que provocou 10 mil mortes, sendo ainda referidas cidades como Nova Iorque, Washington, Los Angeles, Toronto, Londres, Tóquio, Sydney ou São Paulo que também registaram aquele fenómeno.

"Ações como a retirada do Acordo de Paris (decidida pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump) são um passo na direção errada que vai inevitavelmente atrasar a resolução de um problema para o qual não há simplesmente tempo a perder", alertou o investigador.

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Comentários

Ninguém comenta, muitos devem estar a pensar: Em 2100 já não estou cá, por isso deixa-me continuar a poluir. Que tristes seres humanos que desprezam a vida! Parabéns a todos! Só mais uma coisa, se em 2100 ainda existir vida no planeta, já é uma grande sorte, mas infelizmente, provavelmente já não existirá ninguém para contar a linda história da nossa passagem por cá.

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