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11º e 12º anos de pressão!

A escola está a tornar-se num espaço de preparação de exames e não num espaço de novas aprendizagens e de novas experiências. Artigo de Diogo Henriques.
Foto Paulete Matos.

Ao longo destas últimas semanas, milhares de jovens portugueses realizaram exames nacionais de 11º e 12º ano. O medo de baixar as médias ou de não conseguir entrar no curso pretendido, está sempre presente. Tudo isto porque 2h30 definem 30% da classificação interna de frequência das disciplinas sujeitas a avaliação externa, o que influência, de forma significativa, na média final do ensino secundário. Se a disciplina for específica para o ingresso no ensino superior, terá um peso adicional que nalguns casos é equivalente a todo o ensino secundário (isto quando a disciplina é a única específica e pesa 50% da classificação do ensino secundário).

Depois de tantos anos de aulas, o ciclo como estudante define-se, essencialmente, pelos resultados obtidos nos exames nacionais?!  Chega de hipocrisia!

Ao longo do ano letivo, os alunos são avaliados de forma contínua. São sujeitos a vários instrumentos de avaliação que contemplam competências, conteúdos, domínio cognitivo e atitudes. Sobrevalorizar os exames nacionais é um erro crasso!

Em 2016, 15% dos estudantes que realizaram o exame à disciplina de matemática, do ensino secundário, reprovaram à disciplina. Já à disciplina de português, o exame prejudicou 7% dos estudantes.

A escola foi criada não só para aprendermos matemática, biologia, português ou geografia. A escola foi criada, também, para participarmos em projetos extracurriculares e outras atividades que nos enriquecem como cidadãos.

Atualmente, a escola está a tornar-se num espaço de preparação de exames e não num espaço de novas aprendizagens e de novas experiências, para a qual foi concebida.

É urgente e necessário acabarmos com este peso (percentagem) exorbitante dos exames, que prejudica os jovens estudantes. O peso dos exames para a classificação interna de frequência não deveria ultrapassar os 25%, tal como o das específicas, na sua totalidade, nunca deveriam pesar mais de 25%.

Se se continuar a insistir no mesmo, os exames destruirão e continuarão a destruir os sonhos de muitos. Tantas aulas, tantas semanas, tantos meses, tantos anos, para depois apostarmos num exame.

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Comentários

Peço desculpa pelo seguinte comentario, mas tenho de ser honesto:
A unica verdade aqui demonstrada, é que querem facilitar a entrada na faculdade a alunos a quem a sua escola lhes dê notas mais facilmente. Pois a Classificaçao interna é isto mesmo: uma classificação baseada em instrumentos de avaliação criadas, e corrigida pela professora destes alunos (ou o departamento da escola). Um exame nacional é feita para separar os alunos que receberam classificações inflacionadas daqueles que realmente estudam e mostram intresse. Estes alunos (postriormente referidos) são os que merecem entrar numa boa faculdade. Dou o seguinte exemplo:
Imaginemos que um aluno encontra-se num colégio privado (como qualquer um tem o direito de estar). Nesta escola os professores criam exercicios escritos duma maior dificuldade e rigor. Por esta razão a media interna da escola é menor ,no entanto, a escola transmite mais conhecimentos e capacidades ao aluno. Num exame nacional o aluno e capaz de comparar as suas capacidades com os outros do seu ano escolar, assim sendo, revela-se os alunos com melhores capacidades.

Cada Faculdade decide a percentagem que vale um certo prova de ingresso nem sempre sendo 50%. Na minha opiniao devia ser sempre 50%, pois só com um instrumento de avaliação igual para todos é que se destingue os bons alunos.
Boa noite

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