“Se há alguém a fazer pressão é Relvas”

Francisco Louçã rejeita a vitimização do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, e sublinha que "se há alguém a fazer pressão sobre a comunicação social é hoje Miguel Relvas". Para o Bloco, o que está em causa é a luta pelo domínio da comunicação social.
Louçã rejeitou a vitimização do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares. Foto de Mário Cruz da Lusa

No debate com o primeiro-ministro na Assembleia da República esta quarta-feira, Francisco Louçã rejeitou a vitimização do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, sublinhando que "se há alguém que está a fazer pressão sobre a comunicação social é hoje o ministro Miguel Relvas". E reafirmou: "Todos os que conhecem bem e que apreciam a qualidade do ministro Miguel Relvas sabem que ele não é uma vítima neste processo, que se há alguém que está a fazer pressão sobre a comunicação social é hoje o ministro Miguel Relvas e disso não há nenhuma dúvida".

Relvas e a privatização da RTP

O coordenador do Bloco de Esquerda começou o debate com o primeiro-ministro com duas perguntas: se o governo mantém a sua intenção de privatizar a RTP1 até o final do ano, e se o ministro Miguel Relvas vai ser o responsável por esta privatização.

Passos Coelho confirmou que o governo pretende definir até ao final do ano o modelo de alienação de um canal da RTP, não sabendo se a privatização estará feita nesse prazo. E afirmou o seu apoio a Relvas.

Luta pelo domínio da comunicação social

Para Louçã, é necessário que o ministro Miguel Relvas esclareça as suas reuniões com Jorge Silva Carvalho, uma das quais na presença do presidente da Ongoing; e se Relvas estava nelas como secretário-geral do PSD ou se como administrador da Finertec, empresa de capitais portugueses e angolanos. Louçã afirmou que "a nebulosa" que paira sobre o país "tem tudo a ver com a comunicação social e a luta pelo domínio da comunicação social" e deu exemplos: o de Bernardo Bairrão que foi apresentado e desapresentado ao Presidente da República, Pedro Rosa Mendes foi afastado da Antena 1, e o jornal Público foi pressionado. E, nesta luta, houve relatórios sobre o diretor do maior jornal português e do dono do maior grupo de comunicação.

Passos Coelho respondeu que esses relatórios não foram feitos pelo Estado e afirmou que "Não deixa de ser curioso que o ministro que tem a responsabilidade por função e competência de conduzir juntamente com o Tesouro o processo de alienação de um dos ativos públicos que será a primeira peça da última retirada do Estado da comunicação social seja precisamente acusado de a querer controlar", concluindo que a ideia "parece um absurdo".

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