“Outro modelo é possível”: Sindicatos e coletivos bascos convocam greve geral

22 de abril 2013 - 16:05

Sindicatos bascos e mais de meia centena de coletivos sociais convocaram, no passado sábado, uma greve geral para o próximo dia 30 de maio. “Por um modelo próprio para Euskal Herria” é o lema do dia de luta, que pretende, segundo os promoteres, ser a alavanca para a construção de um outro modelo social e económico, que rompa com as políticas anti sociais.

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A greve geral é “a esperança dos perdedores” e “a defesa coletiva é a melhor maneira de fazer frente às agressões”, defendeu Adolfo Muñoz, secretário geral da ELA

Os sindicatos ELA, LAB, ESK, STEE-EILAS, EHNE, Hiru e CNT e mais de meia centena de coletivos sociais anunciaram, no passado sábado, a convocação de uma greve geral para o próximo dia 30 de maio.



Quatro anos após a primeira convocatória conjunta, motivada pela prolongada crise económica, reiteraram a aposta em apelar à sociedade basca para que exerça pressão para uma mudança de modelo social.



O lema eleito é M-30 Greba Orokorra. Eskubide sozial eta laboral duinak. “Por um modelo próprio para Euskal Herria”. Representantes dos coletivos sociais leram um comunicado recordando que “os governos têm aprofundado a crise económica com as suas reformas”. Com estas decisões, em contramão com a a maioria da sociedade, explicaram, “percebe-se que os mais ricos tenham cada vez mais poder e dinheiro à custa do empobrecimento generalizado dos trabalhadores, o desemprego em massa, a perda de direitos e a redução dos serviços públicos”.

"Via antidemocrática"

Denunciaram, ainda, que todas estas medidas estão a ser levadas a cabo “de uma forma antidemocrática, através da imposição, dado ser a única forma destes ataques, contra a população, serem possíveis”. Ante esta realidade, reivindicaram “uma mudança radical das prioridades das políticas públicas” e instaram as atuais instituições de Euskal Herria “a tomar iniciativas institucionais, políticas e legislativas nesse sentido”. Neste caso, apelaram a não acatar as decisões impostas pelo governo espanhol do PP e a desenvolver uma política própria “desde e para” o País Basco. Recordaram que querem oferecer à sociedade basca “uma alternativa, que passa pela revindicação de que outro modelo é possível”. Para isso, explicaram que têm decidido “impulsionar um processo social, um processo de construção dessa alternativa cujo primeiro passo será a elaboração da Carta de Direitos Sociais de Euskal Herria”.

"Soberania popular"

A secretária geral da LAB, Ainhoa Etxaide, recordou que já na primeira greve em maio de 2009 reclamaram uma mudança de rumo na política económica, porque “neste modelo capitalista atual não há saída” e, no entanto, os governos não dão uma saída para além de políticas anti sociais. “Euskal Herria será a sociedade que irá construir alternativas e um modelo social para dar resposta a esta situação”.

Etxaide situou a resposta em dois pilares. Primeiro, destacou a Carta dos Direitos Sociais de Euskal Herria: “Será um exercício de soberania popular que aposte em um modelo social mais justo e não submetidos ao poder que nos leva à pobreza”. Para a dirigente da LAB esta decisão “supõe uma grande aliança para partir em melhor posição na luta pela mudança económica e social”. O segundo pilar baseia-se numa “ nova fase de mobilizações a partir da greve geral de 30-M”. Que, “atuará como alavanca para o novo processo que nos espera”. Por isso, desafiou os representantes sindicais e sociais para avançar neste processo de debate.

Por sua vez, Adolfo Muñoz, secretário geral da ELA, assegurou que a greve geral suporá “um esforço para responder aos governos que dizem que não há alternativa e que a mobilização não serve. É a única via”. Explicou que a greve geral é “a esperança dos perdedores” e recordou que “a defesa coletiva é a melhor maneira de fazer frente às agressões”.

Muñoz admitiu que essa é a única via que os trabalhadores têm para mudar esta situação “que acontece na Grécia e em Portugal com cortes e mais cortes a favor das diretrizes neoliberais”.