“Fui saneado”

Mário Figueiredo, provedor do ouvinte da RDP, afirma que “os provedores são incómodos, uma pedra no caminho”, e que a não renovação do seu contrato se deveu a ter “desmentido o presidente e o ministro Relvas”.
Mário Figueiredo: "Tudo isto é um reino de absurdo”.

Em entrevista ao Correio da Manhã, o provedor do ouvinte da RDP, Mário Figueiredo, considerou que o seu afastamento do cargo foi um ajuste de contas claro. “Sem dúvida nenhuma. Fui saneado. Principalmente pela questão da onda-curta, porque fui obrigado a desmentir o presidente e o ministro Relvas”. Mário Figueiredo não teve o seu mandato renovado e só tomou conhecimento da sua substituição pelos jornais.

Recorde-se que a RTP anunciou em maio de 2011 a suspensão, a partir de 1 de Junho, das emissões da RDP Internacional em onda curta, alegando o reduzido do número de ouvintes e a necessidade de diminuir custos. O provedor opôs-se frontalmente a esta decisão, e chegou a dizer que uma eventual alienação dos terrenos onde se situa o emissor de onda curta "é bem capaz, se houver interesses imobiliários, de tapar o buraco" financeiro do grupo RTP. A venda dos terrenos do emissor foi desmentida pelo presidente da RTP, Guilherme Costa.

O provedor disse que nos dois anos de mandato “não houve relação nenhuma [com a administração] e isto só demonstra que os provedores são incómodos. Uma pedra no caminho. Dos diretores desta casa nunca tive a mais pequena questão, com uma exceção, a do ex-administrador e diretor-geral, Luís Marinho que se atreveu a questionar-me sobre as minhas declarações na Assembleia, e que de resto motivaram toda esta situação. Tudo isto é um reino de absurdo”.

Questionado se a posição que assumiu durante o processo do fim da rubrica "Este Tempo", na Antena 1, em que participava o cronista Pedro Rosa Mendes, Mário Figueiredo afirmou: "Claro que sim". O provedor considerou o fim do programa um ato “ilícito, prepotente e arrogante”.

Quanto ao relatório do grupo de trabalho para a definição do serviço público de comunicação social, o provedor declarou na época que o relatório tinha uma "visão liberal e profundamente economicista". Disse ainda que o texto era "originalíssimo", ao falar de uma "tendência dos poderes para interferirem nos conteúdos da comunicação social pública".

Mário Figueiredo disse que pondera avançar com uma ação judicial contra a administração da RTP e que, se houver proventos vai dá-los à Comissão de Trabalhadores.

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