“Esquerda deve fazer esforço para convergir na base de um programa”

16 de junho 2013 - 17:13

O coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, em entrevista à TSF e DN, afirmou que “sozinho, nenhum partido de esquerda” consegue resolver os problemas do país e defende que a “Esquerda deve fazer um esforço para convergir na base de um programa capaz de dar corpo a um governo de esquerda”.

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João Semedo defende que um governo de esquerda que tenha pontos de continuidade com o atual memorando está condenado a não ser um governo de esquerda - Foto de Paulete Matos

João Semedo foi entrevistado, neste domingo, no programa “Gente que conta”. Durante a entrevista, falou da situação política nacional, das eleições autárquicas em Lisboa e da luta dos professores.

Sobre a situação política, o coordenador do Bloco de Esquerda afirma que há “um triângulo que apoia” o Executivo de Passos Coelho: “a banca, a Comissão Europeia e o Presidente da República” e aponta:

“O País está a ficar numa situação mais do que dramática. A austeridade não tem fim, é um saco sem fundo (…), vai chegar um momento em que a situação [se torna] insustentável do ponto de vista social e económico e julgo que, nesse momento, mesmo este Presidente da República não terá condições para manter este Governo”.

Sobre as contradições entre o PSD e o CDS, João Semedo não prevê que elas possam provocar a rutura governamental, porque o CDS prefere “engolir as suas razões para continuar no Governo”.

Sobre a saída política para a situação, o coordenador do Bloco considera que “sozinho, nenhum partido de esquerda está em condições de resolver” os problemas do país e apela a um esforço de unidade à Esquerda.

O coordenador do Bloco defende uma convergência à esquerda, “com base num programa capaz de dar corpo a um governo de esquerda”. João Semedo salienta ainda que um governo de esquerda que tenha pontos de continuidade com o atual memorando está condenado a não ser um governo de esquerda.

Sobre as eleições autárquicas em Lisboa, João Semedo aponta como objetivo a sua eleição como vereador e está convicto que o Bloco de Esquerda pode ultrapassar nas eleições o resultado mínimo necessário para a sua eleição. "É compatível ser vereador, deputado e coordenador", considera ainda João Semedo.

Sobre as mudanças que propõe na política autárquica, o coordenador do Bloco afirma que as câmaras municipais e freguesias não podem "olhar para a pobreza e para o desemprego de braços cruzados", propondo que haja um "forte pelouro de ação social" nas Câmaras, nomeadamente em Lisboa.

João Semedo solidariza-se também com a luta dos professores e com a greve desta segunda-feira, salientando que a responsabilidade da data é do governo, que só agora apresentou as medidas gravosas. “Não se pode pedir aos professores que defendam à Escola Pública em agosto. Não foram eles que escolheram o momento”, para a greve sublinha o deputado.